Petróleo atrapalhou o Copom de novembro, diz economista
- 08/11/2026 11:00
- Redação
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião de novembro, em decisão unânime. Para o economista Leandro Padula, do ASA, uma combinação de fatores internos e externos levou o Banco Central a optar pela cautela e interromper o ciclo de cortes de juros.
Padula destacou que, entre as reuniões do Copom, houve uma piora do cenário externo, uma deterioração significativa das expectativas de inflação no relatório Focus e uma depreciação da taxa de câmbio.
“Todos esses fatores em conjunto fizeram com que a projeção da inflação no horizonte relevante chegasse a 3,5, uma piora significativa em relação ao último Copom”, afirmou.
O economista ressaltou que o aumento do preço do petróleo foi um elemento que “de fato atrapalhou” nessa última decisão do Copom.
Segundo Padula, o Banco Central mencionou explicitamente a situação externa e o impacto do petróleo nas projeções de preços administrados, com efeitos que se estendem até 2028.
“No início da guerra, esperava-se que ela não fosse durar tanto tempo. A gente não tem muita clareza de quando isso vai terminar, e aos poucos isso vai entrando dentro do cenário do Banco Central, sendo uma restrição a mais para retomar uma eventual flexibilização de corte de juros”, explicou.
Parte da piora das expectativas, especialmente para 2027, está relacionada a avanços de projetos no Congresso. Padula citou a discussão sobre o fim da escala 6×1, que teria impacto inflacionário para aquele ano, além dos efeitos do El Niño, que já começam a se manifestar na inflação corrente.
“Uma parte dessa piora de expectativas tem muito a ver com a realização de alguns riscos que estavam rondando e que acabaram se concretizando”, avaliou.
Com a perspectiva de juros elevados por um período prolongado, Padula alertou que os investimentos de longo prazo tendem a ser os mais afetados. Entre os setores mais vulneráveis nesse ambiente, o economista apontou o varejo, a construção civil e o setor de bens de capital, incluindo a produção de máquinas.
A pausa no ciclo de cortes também deve levar empresas a revisarem suas projeções de rentabilidade e a postergarem decisões de investimento para o orçamento de 2027.
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