“Rei da Sucata”, suspeito de lavar dinheiro para o CV, é preso em SP
- 08/11/2026 11:03
- Redação
Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, conhecido como “Rei da Sucata”, investigado por participar de um esquema de lavagem de dinheiro do CV (Comando Vermelho), foi preso neste sábado (7) no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, enquanto fazia compras na loja da Cartier.
Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, ele é suspeito de utilizar uma empresa do setor de metais para repassar cerca de R$ 4,6 milhões a um operador financeiro ligado ao traficante Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como principal operador financeiro da facção.
A investigação aponta que Rodrigo exercia a administração de fato de uma empresa de fundição de metais não ferrosos, embora o negócio estivesse formalmente vinculado ao pai dele, também preso em maio deste ano.
A análise de Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou transferências da empresa para contas de um homem apontado pelos investigadores como principal operador financeiro de Rabicó. Entre abril de 2023 e setembro de 2024, os repasses somaram cerca de R$ 4,6 milhões.
A polícia também identificou cerca de R$ 1,6 milhão em movimentações para contas vinculadas a outras empresas que integrariam o mesmo circuito financeiro. Segundo a DRE, empresas dos setores de reciclagem, sucata e metais eram utilizadas para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
O esquema envolveria depósitos fracionados em dinheiro, contas bancárias de passagem e transferências entre pessoas físicas e jurídicas sem relação econômica aparentemente compatível.
A investigação faz parte do trabalho financeiro que fundamentou uma das fases da Operação Contenção, deflagrada em 29 de maio deste ano. Na ocasião, os investigadores identificaram movimentações superiores a R$ 453 milhões e 24 pessoas foram presas.
O “Rei da Sucata” não foi localizado naquela fase da operação e permaneceu foragido.
A prisão foi resultado de cinco meses de trabalho de inteligência e monitoramento. Segundo a Polícia Civil, o investigado deixou o Brasil durante o período em que esteve foragido e chegou a permanecer nos Estados Unidos. Ele também constava em na lista da Difusão Vermelha da Interpol.
Após a operação de maio, agentes da DRE e do GSI/MPMG acompanharam os passos de Rodrigo e identificaram o retorno ao Brasil, no início de outubro. O monitoramento permitiu localizá-lo em São Paulo.
Veja o momento da prisão:
A prisão foi realizada por agentes da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes), em ação conjunta com o GSI/MPMG (Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais) e apoio do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Rodrigo Alcântara foi apresentado ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE), na 1ª Delegacia de Polícia de Capturas da Polícia Civil do Estado de São Paulo, onde foram adotadas as providências legais decorrentes do cumprimento das ordens judiciais. O foragido foi submetido a exame médico-legal e posteriormente apresentado ao Poder Judiciário.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos, empresas, bens e valores relacionados ao esquema de lavagem de dinheiro.