Quem são os democratas cotados para concorrer à Presidência dos EUA em 2028
- 07/11/2026 08:00
- Redação
Com o encerramento das campanhas de Meio de Mandato, a corrida para suceder ao presidente Donald Trump tende a se intensificar.
Há um grupo potencialmente numeroso de democratas já se posicionando para 2028, embora ainda não tenha surgido um nome de destaque claro.
Possíveis candidatos — incluindo governadores, senadores e nomes que já disputaram eleições anteriormente — passaram as últimas semanas da campanha de meio de mandato percorrendo estados que realizam as primeiras etapas do processo de escolha de candidatos.
Isso ocorre após meses de articulação com doadores, esforços para ganhar visibilidade e a publicação de livros — passos habituais para quem pretende concorrer à Casa Branca.
Entre os republicanos, o cenário é menos concorrido; o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio são os nomes mais mencionados como possíveis sucessores de Trump — que, por impedimento constitucional, não pode ser eleito presidente uma terceira vez.
Até o momento, ninguém oficializou sua pré-candidatura para o pleito de novembro de 2028.
A história também sugere que as pesquisas iniciais e o senso comum podem ser enganosos.
Trump registrou cerca de 1% de apoio entre os eleitores das primárias republicanas quando lançou sua candidatura em 2016, enquanto Bill Clinton aparecia com menos de 1% nas primeiras pesquisas entre os democratas antes de vencer a eleição presidencial em 1992.
A seguir, apresentamos os democratas que têm gerado maior repercussão, organizados por categoria e em ordem alfabética.
Vários governadores democratas são vistos como possíveis pré-candidatos, atraindo atenção precoce por meio de viagens, arrecadação de fundos e uma crescente projeção nacional.
O governador do Kentucky, Andy Beshear, discursa no Almoço Anual de Homenagem ao Legado do Caucus Feminino Democrata de Michigan, em Detroit, no dia 18 de abril. • Bill Pugliano/Getty Images via CNN Newsource
O governador de Kentucky assumiu, neste ano ano, a presidência da Associação de Governadores Democratas, o que lhe confere uma plataforma para promover sua trajetória em um estado de forte inclinação republicana. Beshear tem feito campanha para candidatos democratas em estados decisivos para a eleição presidencial, a exemplo de Wisconsin e Geórgia. Em uma entrevista concedida em setembro, ele deu a entender que poderá se candidatar em 2028, já que deixará o cargo de governador em dezembro de 2027.
Pontos fortes: Ele foi eleito duas vezes em um estado que Trump venceu por mais de 30 pontos percentuais em 2024.
Vulnerabilidades: Ele não é muito conhecido fora de Kentucky, e sua abordagem política, mais voltada ao bipartidarismo, talvez não agrade aos eleitores que participam das primárias democratas.
Pesquisas de opinião mostram que muitos eleitores democratas acreditam que seu partido não luta com a devida firmeza contra Trump e suas políticas.
Gavin Newson • REUTERS
O atual governador da Califórnia lançou um livro de memórias em fevereiro e visitou Nevada, New Hampshire e Carolina do Sul — estados que realizam as primeiras etapas do processo de indicação presidencial. Em setembro, ele declarou à CNN que não se candidataria caso a ex-vice-presidente Kamala Harris — que foi derrotada por Trump em 2024 — entrasse na disputa. Em junho, Newson acusou Trump de orientar o Departamento de Justiça a conduzir uma investigação politicamente motivada contra ele e sua esposa, pelo fato de ele estar cogitando uma candidatura à presidência.
Ele será sucedido por Xavier Becerra, que ganhou as eleições nas Eleições de Meio de Mandato no início de novembro e está com posse marcada para janeiro de 2027.
Pontos fortes: Newsom construiu um perfil nacional por meio de críticas contundentes a Trump.
Vulnerabilidades: A Califórnia apresenta alguns dos preços de gasolina, impostos e taxas de população em situação de rua mais elevados dos Estados Unidos — questões que os republicanos provavelmente tentariam explorar caso ele se candidatasse.
Governador de Illinois, JB Pritzker, em entrevista coletiva dada por parlamentares democratas do Texas no ano passado • 05/08/2025 | REUTERS/Tom Krawczyk
O governador reeleito de Illinois viajou para estados que realizam votações antecipadas no processo de indicação de candidatos, incluindo Nevada, New Hampshire e Carolina do Sul. Em uma entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC, no dia 1º de novembro, Pritzker não descartou uma candidatura à presidência, afirmando que seu foco continua sendo o que é melhor para o povo de Illinois e a eleição de democratas.
Pontos fortes: Pritzker ganhou projeção nacional ao criticar o envio, por parte de Trump, de tropas da Guarda Nacional e agentes federais de imigração para cidades dos EUA. Herdeiro do império hoteleiro Hyatt, Pritzker é bilionário, o que lhe confere a possibilidade de depender menos de doadores.
Vulnerabilidades: Sua riqueza poderia torná-lo alvo de ataques de rivais, que o retratariam como alguém desconectado dos eleitores que enfrentam dificuldades econômicas — ou excessivamente dependente de sua fortuna pessoal.
O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro • Gilbert Carrasquillo/GC Images
O governador da Pensilvânia lançou um livro de memórias este ano e, em outubro, criou um comitê de ação política em nível federal — um mecanismo para arrecadar fundos para candidatos democratas e, potencialmente, apoiar uma futura campanha sua à presidência. Ao ser questionado sobre uma possível candidatura à Casa Branca no programa “Face the Nation”, da CBS News, no dia 1° de novembro, Shapiro — que foi reeleito em 3 de novembro — afirmou que estava concentrado exclusivamente em ajudar os democratas a vencer as Eleições de Meio de Mandato na Pensilvânia. Em abril, ele foi mais direto. Disse que os democratas precisarão debater os rumos do país após as eleições. “E eu farei parte dessa conversa”, acrescentou ele.
Pontos Fortes: Shapiro é um governador popular em um importante estado decisivo para a eleição presidencial, o qual Trump venceu em 2024.
Vulnerabilidades: Shapiro, que é judeu, é visto como um democrata pró-Israel em um momento em que as críticas ao país crescem entre os democratas por causa das guerras de Israel em Gaza e contra o Irã — embora ele se oponha à guerra contra o Irã liderada pelos Estados Unidos e por Israel.
Outros governadores mencionados como possíveis concorrentes incluem Wes Moore, de Maryland — embora ele tenha afirmado que não pretende se candidatar —, e Gretchen Whitmer, de Michigan.
Em maio, ela pareceu descartar uma candidatura, mas voltou atrás rapidamente, dizendo: “Nunca diga nunca”.
Em uma entrevista concedida em outubro ao programa “Meet the Press”, ela não descartou a possibilidade de se candidatar.
Candidata democrata à Presidência dos EUA, Kamala Harris, durante evento de campanha no Arizona • Reuters
A ex-vice presidente tem sido uma das mais explícitas sobre a possibilidade de concorrer novamente, após a derrota para Trump em 2024. “Talvez. Talvez. Estou pensando nisso”, disse ela em abril. Em outubro, durante um podcast, afirmou que ainda não havia decidido se concorreria, mas prometeu tomar uma decisão. Harris participou de atos em apoio a candidatos democratas em seis estados durante setembro e outubro, incluindo Nevada, New Hampshire e Michigan — um estado decisivo na disputa presidencial.
Pontos fortes: Harris é bastante conhecida e apresenta um bom desempenho entre os eleitores democratas em pesquisas iniciais para 2028.
Vulnerabilidades: Se Harris concorrer novamente, esta será sua terceira tentativa de chegar à presidência. Candidatos que já disputaram o pleito anteriormente e perderam costumam ser vistos com ceticismo pelos eleitores nas primárias.
Seus vínculos com Biden também podem ser problemáticos, uma vez que alguns democratas afirmaram que a demora dele em desistir da disputa de 2024 prejudicou as chances do partido.
Vários senadores democratas dos EUA alimentaram especulações sobre 2028.
O senador Jon Ossoff (Democrata pela Geórgia), candidato ao Senado, fala a apoiadores e membros da imprensa durante um evento de campanha no Dekalb History Center Museum, em 2 de novembro de 2026, em Decatur, Geórgia • Megan Varner/Getty Images
O perfil de Ossoff ganhou destaque nos últimos meses devido a discursos em que ele criticou Trump, classificando-o como corrupto e inapto para o cargo — utilizando uma linguagem incomumente direta que repercutiu na imprensa. No entanto, em aparições públicas recentes, ele negou que pretenda se candidatar em 2028; durante um debate em outubro, enquanto disputava a reeleição para o Senado, afirmou não ter “interesse algum” em concorrer à presidência. Ele foi reeleito para o Senado no dia 3 de novembro.
Pontos fortes: Recém-reeleito em um estado que será um importante campo de batalha em 2028, ele é um comunicador jovem e habilidoso, cuja popularidade cresce rapidamente entre os eleitores democratas.
Vulnerabilidades: Ele tem pouquíssima experiência em cargos executivos. Pode ter dificuldade em conquistar os progressistas que buscam uma figura mais combativa, alinhada à esquerda.
Alexandria Ocasio-Cortez • Adam Gray/Pool/Getty Images via CNN Newsource
A representante dos EUA por New York, que se identifica como socialista democrática, é uma das figuras progressistas de maior destaque no país e é vista como a provável herdeira do movimento que o senador americano Bernie Sanders construiu ao longo de suas duas campanhas presidenciais. Em setembro, ela declarou ao jornal New York Times que decidiria, após as Eleições de Meio de Mandato, se concorreria à presidência.
Pontos Fortes: Conhecida como AOC, ela é popular entre muitos eleitores democratas e atrai, com frequência, multidões entusiasmadas em suas aparições públicas.
Vulnerabilidades: Os republicanos frequentemente a apresentam como uma figura de destaque na ala esquerda do partido, apontando para o seu apoio à tributação dos mais ricos e a programas financiados pelo governo.