Casa onde Marilyn Monroe viveu e morreu vira centro de batalha judicial e donos dizem que imóvel não vale nada
- 06/11/2026 18:14
- Redação
Há casas que guardam histórias. Outras se tornam parte da própria história. É o caso da residência onde Marilyn Monroe viveu seus últimos meses e morreu, em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 1962. Mais de seis décadas após a morte da atriz, o imóvel voltou aos holofotes por uma disputa recente: os atuais proprietários querem demolir a construção, mas a prefeitura se opõe à ideia e determinou sua preservação como patrimônio histórico.
A briga começou em 2023 e ganhou um novo capítulo em abril de 2026, quando a Pacific Legal Foundation passou a representar os donos em uma ação federal contra a cidade. Eles alegam que a preservação do imóvel trouxe despesas e restrições que, na prática, fizeram a propriedade perder seu valor.
A atriz comprou a residência em fevereiro de 1962 por US$ 77,5 mil. A construção é um bangalô em estilo espanhol, erguido na década de 1920, e foi a primeira, e única, casa que Marilyn adquiriu em seu próprio nome.
Seis meses depois da compra, a estrela de Hollywood morreu no local, aparentemente em decorrência de uma overdose de barbitúricos. Desde então, o endereço passou a carregar um significado histórico ligado à trajetória da atriz.
Em 2023, Brinah Milstein e Roy Bank compraram o imóvel por US$ 8,35 milhões. A intenção do casal era demolir a construção e ampliar uma propriedade vizinha que já possuíam.
Inicialmente, eles conseguiram autorização para realizar a demolição e reconstruir o espaço. No entanto, a situação mudou depois que a vereadora Traci Park apresentou uma proposta para reconhecer a residência como patrimônio histórico, em meio à reação contrária de moradores e admiradores da atriz.
Na ocasião, Park argumentou que perder a casa seria um golpe para a preservação da memória de Los Angeles. Ela também destacou que menos de 3% dos imóveis reconhecidos como históricos na cidade estão relacionados ao legado de mulheres.
Em junho de 2024, a residência foi oficialmente declarada um marco histórico-cultural. Com isso, as licenças de demolição foram revogadas, impedindo que os proprietários colocassem o plano em prática.
A disputa burocrática levou Milstein e Bank a entrar com uma ação federal em janeiro de 2026. Em abril, a Pacific Legal Foundation passou a atuar no caso sem cobrar honorários dos proprietários.
A entidade argumenta que a decisão da prefeitura viola a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que prevê compensação justa quando o governo toma uma propriedade. Segundo a ação, os donos acumulam despesas com impostos, licenças, custos jurídicos e segurança.
O casal também afirma que a classificação histórica aumentou a presença de pessoas que invadem o terreno e até de ladrões. Para a fundação, se a cidade deseja transformar o endereço em um museu ou monumento público, deveria pagar por isso, em vez de transferir os custos aos proprietários.
A prefeitura de Los Angeles apresentou um pedido para que o processo seja arquivado. A iniciativa representa mais um capítulo da disputa em torno da residência, que permanece protegida contra a demolição.
Enquanto a batalha judicial continua, a casa que foi o único lar próprio de Marilyn Monroe segue de pé, não por decisão dos atuais donos, mas pelo reconhecimento de seu valor histórico.