Professor de MT reaprende a falar e andar após mais de 100 dias internado
- 06/11/2026 17:40
- Redação
Após duas paradas cardíacas, o professor de Matemática Ilton Silva Pimentel, de 56 anos, precisou reaprender a falar, caminhar e se alimentar Arquivo pessoal O professor de Matemática Ilton Silva Pimentel, de 56 anos, precisou reaprender a falar, caminhar e se alimentar após enfrentar complicações respiratórias que exigiram uma traqueostomia e mais de 100 dias de internação.
Morador de São Félix do Araguaia, a 1.159 km de Cuiabá, ele ficou no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso entre 15 de abril e 4 de setembro.
Em entrevista, Ilton contou que ficou desacordado antes de ser transferido para o Hospital Central.
Segundo ele, familiares relataram que permaneceu sedado por quatro dias e que, nesse intervalo, sofreu duas paradas cardíacas.
O professor disse que só voltou a acordar já na unidade, em Cuiabá.
Cinco dias depois de chegar ao hospital, Ilton tentou se levantar e percebeu que não conseguia.
A dificuldade também apareceu em atividades como falar e se alimentar, que precisou recuperar durante a internação. “A maior dificuldade foi a paciência comigo mesmo.
Tinha dia que eu queria avançar, mas não conseguia, e isso me frustrava muito.
Uma conquista foi poder cortar o cabelo e fazer a barba dentro do hospital”, relatou.
Agora no g1 Segundo informações divulgadas pelo Hospital Central, Ilton chegou à unidade em estado grave, com comprometimentos respiratórios e funcionais, e precisou de cuidados intensivos.
Durante a internação, passou por exames e avaliações de diferentes especialidades até receber o diagnóstico de apneia do sono.
LEIA TAMBÉM: Variações no horário de dormir podem aumentar risco de apneia do sono e hipertensão, mostra estudo O quadro respiratório exigiu acompanhamento especializado e a realização de uma traqueostomia.
De acordo com o hospital, ele também precisou de uma sonda nasoenteral para receber alimentação.
A internação prolongada levou à perda de massa muscular, condição chamada de sarcopenia, que compromete a força e a capacidade de realizar movimentos.
A recuperação envolveu fisioterapia motora e respiratória, fonoaudiologia, nutrição e acompanhamento psicológico, além de avaliações médicas especializadas.
Segundo o Hospital Central, a fisioterapia contribuiu para a retomada da caminhada, enquanto a fonoaudiologia atuou na recuperação da fala e da capacidade de engolir os alimentos.
Por que a internação prolongada afeta os músculos?
A médica pneumologista Marina de la Cruz, do Hospital Universitário Júlio Müller, explica que a perda de massa muscular pode ocorrer em pacientes que passam muito tempo internados, especialmente quando ficam acamados e deixam de movimentar o corpo.
A fisioterapia tem papel importante nesse processo, inclusive durante a permanência do paciente em setores de cuidados intensivos. “A equipe de fisioterapia tem um papel central, porque trabalha evitando a perda de massa muscular tão pronunciada.
Então, quando o paciente está num setor crítico, trabalha-se a musculatura para evitar que haja uma perda tão excessiva”, afirmou.
A recuperação também depende do trabalho integrado de diferentes profissionais, que atuam em etapas importantes da reabilitação.
Além da fisioterapia, Marina destaca a participação das equipes de fonoaudiologia, com trabalhos relacionados à respiração, e nutrição no cuidado com o paciente. “A equipe de nutrição também é uma peça-chave, porque calcula o balanço energético do paciente e verifica quanta proteína a mais pode dar para que o músculo seja beneficiado, quantas calorias a mais esse paciente pode receber”, explicou.
No caso de Ilton, a alta ocorreu em 4 de setembro, após mais de três meses de internação.
Ele deixou o hospital usando um aparelho chamado BiPAP, que auxilia a respiração por meio de uma máscara, e com um plano de continuidade do tratamento na cidade de origem, conforme informou a unidade.
De volta à rotina Atualmente, Ilton mora em uma chácara a cerca de 50 km de São Félix do Araguaia e continua seguindo as orientações dos profissionais de saúde.
Ao relembrar o período no hospital, o professor destacou o apoio recebido durante a recuperação. “A assistência que recebi, o cuidado de todos, desde a pessoa da limpeza até o último grau, foram 100%.
Eu fui tratado como se estivesse em casa.
Minha confiança e respeito por toda equipe nesses meses me deram vontade de lutar para me recuperar”, disse.
Mesmo após os desafios enfrentados durante a internação, Ilton mantém uma perspectiva positiva sobre o futuro.
Ele diz que pretende continuar avançando na recuperação. “Hoje estou bem melhor!
Já consigo dirigir o carro e fazer pequenas caminhadas.
Estou morando em minha chácara.
Sigo confiante na minha recuperação”, concluiu.
O professor de Matemática Ilton Pimentel ficou internado no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso por mais de 100 dias Hospital Central