Grupo investigado por agiotagem teria tomado 18 imóveis de vítimas em SP
- 06/11/2026 14:45
- Redação
Ao menos 18 imóveis foram tomados de diferentes vítimas por uma organização criminosa suspeita de agiotagem e extorsão em São Paulo. Segundo o Ministério Público, o esquema teria atingido mais de 60 vítimas e envolvido aproximadamente 50 propriedades.
O grupo foi alvo de uma operação do Ministério Público, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Campinas, nesta sexta-feira (6), que resultou na prisão de sete pessoas, entre elas um escrevente de cartório de notas.
De acordo com a representação do Ministério Público, obtida pela CNN Brasil, o esquema consistia na concessão de empréstimos particulares com cobrança de juros abusivos e imóveis como garantia. A investigação aponta que os contratos eram estruturados para permitir que os integrantes do grupo tomassem as propriedades dos devedores.
Em 18 casos, as vítimas teriam perdido seus imóveis para a organização criminosa, conforme o documento. Desse total, quatro já eram objeto de ações na Justiça de São Paulo.
Além disso, o documento afirma que o grupo teria atuado de forma semelhante contra mais de 60 outras vítimas, envolvendo aproximadamente 50 imóveis.
Segundo o Ministério Público, o grupo captava pessoas que enfretavam dificuldades financeiras e ofereciam empréstimos formalizados por escrituras públicas de confissão de dívida com alienação fiduciária.
Os documentos registravam taxas oficiais (como 1% ao mês), mas as negociações reais envolviam juros superiores aos registrados nos contratos.
A investigação mostrou que, em um dos casos, um intermediário informou à vítima que os empréstimos tinham juros de 3,3% ao mês e não possuíam prazo determinado para quitação. O grupo também cobrava despesas relacionadas à avaliação e à formalização dos contratos.
Leia também: Operação mira grupo que movimentou R$ 32 mi com empréstimos e ameaças no RS
De acordo com a denúncia, os valores pagos pelos devedores não eram devidamente abatidos do saldo da dívida em algumas das operações realizadas pelos investigados. Com isso, mesmo após desembolsarem quantias expressivas, as vítimas poderiam ser cobradas novamente e ter os imóveis executados.
Em um dos casos investigados, uma mulher que recebeu R$ 190 mil em crédito disse ter desembolsado cerca de R$ 25 mil em comissões, avaliação e custas, ficando com aproximadamente R$ 165 mil. Ela relatou ter realizado 18 pagamentos que somaram R$ 93 mil e, ainda assim, ter sido cobrada em cerca de R$ 307 mil.
Além do golpe financeiro, a investigação aponta que a organização possuía uma divisão de funções, que incluía captação de vítimas, negociação dos empréstimos, formalização dos contratos, administração financeira, cobrança e ocultação dos recursos.
Um escrevente –– preso durante a operação desta manhã –– é apontado pelo Ministério Público como responsável por participar da formalização de operações em cartório. Segundo a denúncia, ele era indicado às vítimas para conduzir os procedimentos relacionados às escrituras públicas que davam forma aos empréstimos e às garantias imobiliárias.
A representação também aponta que pessoas que negociavam os empréstimos nem sempre eram as mesmas que apareciam formalmente como credoras nos contratos.
Ao todo, o Ministério Público identificou 29 pessoas físicas e jurídicas como credoras fiduciárias em diferentes operações.
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), em Campinas, no interior paulista, uma operação contra a organização criminosa investigada por agiotagem, extorsão, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Sete pessoas foram presas durante a ação, entre elas um escrevente de cartório de notas. Além das prisões, a investigação levou à identificação de imóveis que ainda estariam vinculados a contratos considerados suspeitos.
Na representação, o Gaeco pediu o bloqueio de matrículas de propriedades em Campinas, Valinhos, Paulínia, Itu e São Paulo, para impedir novas transferências.
• Divulgação/MPSPO Ministério Público também solicitou o bloqueio de até R$ 4,68 milhões em contas bancárias, o sequestro de bens e o afastamento do investigado da função de escrevente.