Não existe um debate de corte de gastos no governo Lula, diz Eurasia Group
- 06/11/2026 03:42
- Redação
Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, avaliou em entrevista ao WW que o debate interno no governo Lula na quinta-feira (5) não envolve cortes de gastos, mas sim medidas para desacelerar o ritmo de crescimento das despesas públicas.
Segundo ele, investidores estrangeiros e locais observam atentamente os sinais que o governo emitirá sobre o controle fiscal. Garman foi enfático ao distinguir o que está sendo discutido dentro do governo. “Não existe um debate de corte de gasto”, afirmou.
De acordo com Garman, a economia brasileira enfrenta uma crise de juros elevados, que sufoca empresas com alto custo de capital e mantém famílias endividadas. Há um reconhecimento amplo entre economistas de que é necessário conter as regras do gasto e exercer maior controle fiscal para que o Banco Central possa reduzir os juros.
“O que existe é um debate de implementar medidas para tentar reduzir o ritmo do aumento do gasto”, que pode incluir tanto medidas mais amenas quanto propostas via emenda constitucional.
No fundo, segundo ele, o que está em discussão é uma versão da proposta que Fernando Haddad colocou na mesa dois anos atrás, envolvendo mudanças nas regras de indexação de saúde, educação e limites no BPC — medidas que, à época, foram consideradas impopulares e não foram encampadas.
Garman destacou ainda que ninguém espera um corte efetivo de gastos. “O que está em jogo é, pelo menos, sinalizar ao longo do tempo mais controle”, disse.
Caso algum sinal nesse sentido seja emitido, Garman avalia que pode haver alívio no câmbio e na curva de juros futuros, embora a correção fiscal tenda a ser insuficiente. “O debate é o grau dessa insuficiência”, pontuou.
Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília, trouxe informações adicionais sobre o ambiente interno do governo. Segundo ele, Lula tem recebido forte pressão da ala política do Palácio do Planalto para não legitimar o que chamam de “agenda do tesouraço”.
Essa pressão seria tão intensa que a própria equipe econômica estaria evitando usar a expressão “ajuste fiscal”, preferindo termos como “racionalização”, “pente fino” e “revisões”.
Rittner indicou que estão fora de cogitação medidas como revisão do aumento real do salário mínimo, desvinculação de aposentadorias e revisão mais profunda dos pisos constitucionais de saúde e educação.
A aposta recai sobre taxação de aplicações financeiras, IOF sobre LCI, LCA, CRI e CRA, eliminação de sobreposição de programas sociais e moderação no ritmo de crescimento dos gastos.
O risco apontado é de repetir o cenário do final de 2024, quando o governo anunciou medidas de contenção e, em seguida, Fernando Haddad precisou anunciar a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, gerando uma mensagem contraditória ao mercado.
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