Mercado de biológicos deve superar R$ 7 bi, mas “fase de otimismo” passou
- 06/11/2026 03:48
- Redação
O mercado brasileiro de produtos biológicos deve superar R$ 7 bilhões em 2027, com a recuperação gradual da capacidade financeira dos produtores rurais e a retomada dos investimentos no manejo das lavouras, segundo estimativa do Rabobank. Apesar da pressão sobre as margens no campo, o segmento tem preservado parte do mercado conquistado nos últimos anos, mesmo com agricultores mais cautelosos na aquisição de insumos.
O banco estima que o mercado de biológicos alcance cerca de R$ 6,7 bilhões em 2026 e ultrapasse R$ 7 bilhões no próximo ano.
“O mercado biológico está passando desse momento de todo aquele otimismo. Na nossa visão, ele não veio para substituir, veio para complementar o controle biológico. A gente entende que ele vai continuar crescendo”, disse Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank.
Na avaliação de Fonseca, o segmento começa a se aproximar de um patamar mais consolidado, depois de anos de expansão e conquista de mercado. Isso não significa que o crescimento chegou ao fim, mas que o setor entra em uma etapa na qual a ampliação da demanda dependerá também da incorporação dos biológicos às estratégias de manejo das lavouras.
Na avaliação do analista, os produtos biológicos não devem substituir os defensivos químicos, mas atuar de forma complementar no manejo agrícola.
Essa característica também ajuda a explicar por que o mercado conquistado pelo segmento tende a ser preservado, mesmo em períodos de maior restrição financeira dos agricultores. Produtos utilizados em determinadas estratégias de controle, como nematicidas biológicos e soluções para o manejo de lagartas, tendem a permanecer nas práticas adotadas pelos produtores.
“É um mercado que não vai ser perdido facilmente. É um tipo de produto que o produtor não vai ficar tirando, por exemplo, no controle de nematoides ou de lagartas”, afirmou.
A evolução, porém, ainda depende da melhora da situação financeira dos produtores e da recuperação da demanda.
Segundo Fonseca, a expectativa é que a estabilização das margens agrícolas permita que os agricultores voltem a investir em produtos utilizados no controle de pragas e doenças. O movimento deve favorecer também o segmento de biológicos, que passou a enfrentar maior dificuldade para crescer diante da restrição financeira dos clientes.
“Uma melhora na condição financeira do produtor vai possibilitar que o mercado biológico volte a crescer”, afirmou Fonseca.
Os dados mais recentes de comercialização indicam avanço, embora ainda não permitam antecipar o resultado consolidado do ano. Segundo levantamento da CropLife Brasil, as vendas de produtos biológicos cresceram 4,2% em valor no primeiro semestre de 2026. O período, entretanto, concentra uma parcela menor da comercialização: cerca de 73% das vendas do segmento ocorrem no segundo semestre.
No relatório, o Rabobank aponta que a pressão financeira dos produtores tem levado as empresas de biológicos a consumir caixa para manter seus produtos competitivos e preservar o espaço conquistado nos últimos anos. A necessidade de oferecer condições comerciais mais atrativas ocorre em um ambiente de margens operacionais ainda pressionadas nas propriedades rurais.