Em 1809, um contrabando botânico que mudou a paisagem do Rio de Janeiro
- 05/11/2026 11:32
- Redação
Em 1809, o príncipe regente Dom João VI plantou a primeira muda de palmeira-imperial (Roystonea oleracea) no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Conhecida historicamente como Palma Mater, a árvore foi fruto de uma remessa obtida clandestinamente nas Ilhas Maurício e presenteada à monarquia portuguesa pelo oficial da Armada Real Luiz de Abreu Vieira e Silva.
A partir desse único exemplar, a espécie multiplicou-se pelo território nacional, transformando-se em marca arquitetônica e política do Império do Brasil.
Presente para Dom João VI, uma semente clandestina deu origem à Palma Mater e criou o maior símbolo vegetal da nobreza imperial • ReproduçãoDurante décadas, registros historiográficos atribuíram a origem da semente ao Jardin Gabrielle, na Guiana Francesa, de onde eram trazidas espécies vegetais no período das Guerras Napoleônicas.
Contudo, pesquisas históricas demonstraram que as mudas inaugurais vieram do Jardin La Pamplemousse, localizado nas Ilhas Maurício. O oficial Luiz de Abreu Vieira e Silva obteve os espécimes de forma clandestina e os entregou diretamente à corte.
Após o plantio inaugural em 1809, o exemplar atingiu a maturidade reprodutiva duas décadas depois, florescendo pela primeira vez em 1829. Por dar origem a todas as palmeiras-imperiais existentes hoje no Brasil, o espécime recebeu a denominação de Palma Mater.
A partir de meados do século XIX, durante o Segundo Império, o cultivo da palmeira-imperial difundiu-se como elemento de representação política. A distribuição de sementes originadas da Palma Mater era realizada pelo poder central como sinal de distinção e proximidade com a figura do imperador.
O plantio das árvores nas alamedas de entrada de fazendas de café e propriedades urbanas era utilizado pela elite para sinalizar lealdade monárquica, classe e nobreza. Com o tempo, a espécie estabeleceu-se como a identidade visual da aristocracia brasileira.
Jardim Botânico no Rio de Janeiro • Pexels • Juliana Araújo PereiraA Palma Mater permaneceu no Jardim Botânico do Rio de Janeiro até 1972, ano em que foi destruída por um raio. No momento do impacto, a árvore atingia 38,70 metros de altura. O tronco original foi preservado e mantido em exposição no Museu Botânico.
Para manter a linhagem no local original, foi plantado um exemplar germinado a partir de uma semente da árvore centenária, batizado simbolicamente como Palma Filia.