Juros longos oscilam após decisão do Copom e de olho em política fiscal
- 05/11/2026 09:03
- Redação
Os juros mais longos passaram a ceder em sua maioria nesta quinta-feira (5) um dia depois de o Copom (Comitê de Política Monetária) ter mantido a taxa Selic em 13,75%, sem sinalizar seus próximos passos, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter convocado uma reunião com economistas.
Diante das notícias, os juros a curto prazo, como o de janeiro de 2027, tinham altas nesta manhã.
No entanto, a taxa de depósito interfinanceiro para janeiro de 2028 cedia para 14,320%, de 14,420% no ajuste anterior, enquanto o DI (depósito interfinanceiro) para janeiro de 2029 caía para 14,725%, de 14,785%.
Já para janeiro de 2031, o DI subia para 15,000%, de 14,975% ontem no ajuste.
Prevendo inflação mais alta nos próximos anos, o BC deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.
“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, disse o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado.
O BC ressaltou que seguirá acompanhando a evolução do cenário “para manter a restrição adequada” com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta.
A decisão pela manutenção da taxa em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, foi definida de maneira unânime pela diretoria da autarquia.
Menos de um dia depois da decisão, Lula convocou o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o atual ministro, Dario Durigan, Guido Mantega, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para uma reunião possivelmente sobre cenários econômicos e propostas.
Havia ainda a previsão de que Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, participasse do encontro. No entanto, fontes próximas ao mandatário à frente da instituição disseram à CNN que ele não deve participar.
Para os analistas do Citi, a comunicação do BC aumenta o grau de liberdade do Comitê, o que, segundo o banco, parece apropriado diante do atual cenário de alta incerteza.
“Ao reafirmar que a política monetária está atualmente ‘substancialmente contracionista’, o Copom indicou que há alguma margem antes de iniciar um possível ciclo de alta de juros, conforme atualmente precificado pelos mercados”, disse o Citi em relatório.
O Citi prevê que o Copom mantenha as taxas inalteradas nas próximas reuniões.
O Itaú BBA também espera estabilidade na Selic nas próximas reuniões.
“O comunicado reforça as incertezas e um quadro desafiador para a política monetária, com inflação mais elevada e atividade em desaceleração. O tom foi um pouco menos duro do que esperávamos, principalmente por dois elementos: a caracterização dos juros como ‘substancialmente contracionistas’ e a descrição de uma desaceleração mais acentuada da atividade”, disse o Itaú BBA em relatório.
Mais cedo, ao ser perguntado sobre a decisão do Copom, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que não faria “comentários valorativos” sobre a decisão, mas disse que a taxa de juros no Brasil é alta e que isso prejudica todos os setores da economia.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries operavam estáveis, após a forte queda da véspera diante da vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
*Com informações da Agência Estado e Reuters