Banco da Inglaterra eleva juros pela 1ª vez desde 2023 e alerta para alta
- 05/11/2026 11:05
- Redação
O Banco da Inglaterra elevou a taxa de juros pela primeira vez em mais de três anos nesta quinta-feira (5) e alertou que pelo menos mais um aumento será provável caso o conflito entre Estados Unidos e Irã continue, ao iniciar uma trajetória que seus principais pares já trilharam.
A inflação britânica deve atingir cerca de 5% em meados do próximo ano, informou o Banco da Inglaterra, mais do que o dobro da meta do banco central e um golpe para o novo primeiro-ministro Andy Burnham, que busca aliviar as pressões sobre o custo de vida.
Embora haja poucos indícios até o momento de uma inflação mais acelerada fora dos setores diretamente afetados pelos custos mais altos da energia, o Banco da Inglaterra afirmou que a pressão inflacionária resultante de meses de preços elevados da energia exigiu um aumento dos juros neste momento.
“O aumento de hoje não deve ser visto como o primeiro de uma inevitável e longa sequência de aumentos. Mas, a menos que o conflito no Oriente Médio seja resolvido, também não parece provável que seja o último aumento”, disse o presidente do banco central, Andrew Bailey.
O Comitê de Política Monetária do banco central votou por 8 a 1 a favor do aumento dos juros de 3,75% para 4%, mas, ao contrário do que indicavam as expectativas de uma pesquisa da Reuters, a dissidência não veio de um membro buscando manutenção, mas sim de um que defendia alta ainda maior.
Catherine Mann, que disse no mês passado que o Banco da Inglaterra demorou para tranquilizar os mercados de que tinha controle sobre a inflação, votou a favor de um aumento para 4,25%.
O Banco da Inglaterra revisou para cima suas expectativas de crescimento para este ano e o próximo, para 1,6% e 1,3%.
A revisão para cima segue dados oficiais fortes deste ano, e o banco central atribuiu parte dessa força aos gastos com inteligência artificial e a um pequeno impulso temporário proveniente do orçamento anual apresentado pelo ministro das Finanças, John Healey, na semana passada.
No entanto, ele agora prevê que a inflação atingirá um pico médio de 4,8% no segundo trimestre do próximo ano. Em um cenário mais adverso, no qual os preços do petróleo atinjam um pico de cerca de US$130 o barril, a inflação chegará a 6,2% no terceiro trimestre de 2027.
No cenário central, não se espera que a inflação retorne a 2% antes do terceiro trimestre de 2028, seis meses mais tarde do que o Banco da Inglaterra havia previsto em julho, quando as projeções foram elaboradas durante uma trégua no conflito entre EUA e Irã, que havia reduzido os custos da energia.