Paraguai teve impeachment “relâmpago” em 2012; relembre
- 05/11/2026 09:33
- Redação
A Câmara do Paraguai deve votar nesta quinta (5) um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. Ele é acusado de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos, no caso do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso às contas bancárias.
Se for aprovado na Câmara, o processo será encaminhado ao Senado e pode ser votado rapidamente.
O Senado do Paraguai condenou, em junho de 2012, o então presidente do país, Fernando Lugo, em um processo de impeachment considerado “relâmpago”: em menos de 36 horas, foi instaurado e concluído o processo de afastamento.
Lugo, um ex-bispo católico, não era popular entre os legisladores, e muitos questionavam sua credibilidade depois que ele admitiu ter tido pelo menos dois filhos enquanto ainda exercia o sacerdócio. Ao todo, quatro mulheres afirmam ter tido filhos com Lugo durante o período em que ele era bispo.
Já havia, antes de 2012, pedidos de impeachment contra Lugo, mas os escândalos não foram suficientes para derrubá-lo.
A situação mudou em 15 de junho daquele ano, quando a polícia entrou em confronto com camponeses sem-terra no leste do Paraguai, resultando em 17 mortes.
Em resposta à violência, Lugo substituiu o chefe da polícia nacional e o ministro do Interior. Membros do Partido Liberal — que apoiava Lugo — ficaram indignados ao saber que o novo ministro pertencia a outro partido.
Diante da crescente indignação com o confronto fatal, o Partido Liberal retirou seu apoio a Lugo, e, naquele mesmo dia, a Câmara dos Deputados votou pelo impeachment. O resultado foi de 76 votos a favor e 1 contra.
No dia seguinte, a equipe de defesa de Lugo teve duas horas para contestar o que classificou como acusações vagas de incompetência. O Senado aprovou o impeachment do presidente por 39 votos a 4.
Lugo afirmou que a história e a democracia paraguaias foram “profundamente feridas” por essa medida. Ele solicitou à Suprema Corte do país a anulação dos resultados do processo de impeachment.
Na época, vários países vizinhos do Paraguai, incluindo o Brasil, Chile, Venezuela e Uruguai, retiraram seus embaixadores do país em resposta à remoção de Lugo.
Embora o processo de impeachment tenha sido conduzido em conformidade com a Constituição do país, “a rapidez com que o impeachment foi realizado foi extremamente lamentável e criou uma aura de ilegitimidade em torno do processo, independentemente do que diga o texto da Constituição”, afirmou o então secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza.
Câmara do Paraguai deve votar sobre impeachment do presidente do BC | LIVE CNN
*Com informações da Reuters e da CNN Internacional