Torre Eiffel é fechada em meio a greve nacional e protestos na França
- 05/11/2026 08:34
- Redação
A Torre Eiffel, que atrai 7 milhões de visitantes por ano, foi fechada nesta quinta-feira (5) devido à greve nacional organizada pelos sindicatos franceses.
“Visitantes com ingressos eletrônicos são solicitados a verificar seus e-mails. Pedimos desculpas pelo transtorno”, disse o site do ponto turístico.
A polícia de choque francesa disparou gás lacrimogêneo e avançou contra um grupo de manifestantes na cidade de Lyon durante protestos realizados em todo o país em um novo desafio ao presidente Emmanuel Macron, após semanas de tensão.
Alguns manifestantes foram vistos gritando palavras de ordem contra a polícia. Parte deles vestia roupas pretas e usava o rosto coberto.
Os protestos nacionais e uma greve de servidores públicos, convocados por sindicatos — entre eles a CGT, de esquerda — e apoiados por grupos estudantis, ocorrem após manifestações sobre custo de vida, serviços públicos e educação provocarem a pior onda de distúrbios civis registrada na França em anos.
A onda de tensão ocorre a apenas cinco meses das eleições presidenciais, que podem colocar a candidata de extrema direita Marine Le Pen contra o rival da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon em um segundo turno. Macron, que está em seu segundo mandato e tem baixa popularidade, não pode concorrer novamente.
Uma escola de ensino médio nos arredores da cidade de Toulouse, no sudoeste do país, foi incendiada na manhã desta quinta-feira, informou a emissora BFM TV.
Estudantes do ensino médio e outros manifestantes franceses também haviam entrado em confronto com a polícia de choque em Paris mais cedo, ao bloquear uma rua com lixeiras na manhã desta quinta-feira.
Enquanto os protestos em Lyon e em outras cidades, como Marselha e Nantes, começaram pela manhã, a principal manifestação em Paris está prevista para começar apenas às 14h (10h em Brasília), na Place de la République.
A Torre Eiffel foi fechada nesta quinta-feira por causa da greve.
“Precisamos comparecer em grande número às ruas hoje”, afirmou a chefe da CGT, Sophie Binet, à emissora LCI TV. Segundo ela, protestos estavam previstos em 260 cidades e municípios da França.
“Estudantes do ensino médio, aposentados, universitários, trabalhadores, todos juntos. A união vence”, dizia uma faixa exibida no protesto em Lyon.
As autoridades tentavam reduzir as tensões após os tumultos e saques de 17 de outubro, que pegaram as forças de segurança desprevenidas, deixaram lojas e prédios públicos danificados em todo o país e ampliaram as críticas à maneira como Macron está conduzindo a crise.
As autoridades francesas vão mobilizar cerca de 70 mil policiais em todo o país. O serviço de inteligência interna estima que entre 500 mil e 700 mil pessoas participem das manifestações fora de Paris.
A greve já havia contribuído para uma redução na produção de energia nuclear da França no início desta quinta-feira. No entanto, nenhum problema significativo foi registrado na rede de transportes.
O Ministério da Educação informou que pouco mais de 15% dos profissionais do ensino francês aderiram à greve.
Estudantes dizem que as condições nas escolas e a crescente incerteza sobre o próprio futuro continuam entre as principais preocupações.
“Estamos tentando manter a mobilização o máximo possível. Algumas pessoas não estão fazendo isso porque têm medo. Muitas têm medo da violência policial”, afirmou Irma de Banville, estudante de 19 anos em Paris.
O governo francês defendeu as táticas policiais, mas afirmou que eventuais abusos serão investigados.
*Com Reuters