Greves e protestos tomam a França em novo desafio a Macron
- 05/11/2026 05:45
- Redação
A mobilização, convocada por sindicatos, incluindo a CGT, de esquerda, e apoiada por grupos estudantis, ocorre após manifestações contra o custo de vida, os serviços públicos e a educação provocarem a maior onda de distúrbios civis que a França enfrenta em anos.
“Precisamos comparecer em grande número às ruas hoje”, afirmou Sophie Binet, dirigente da CGT, à emissora LCI. Segundo ela, protestos estavam previstos em 260 cidades e municípios de toda a França.
Estudantes do ensino médio e outros manifestantes entraram em confronto com a tropa de choque em Paris na manhã desta quinta-feira, bloqueando uma rua com contêineres de lixo.
As manifestações começaram no meio da manhã nas cidades de Marselha e Lyon, no sul do país, e em Nantes, no oeste. O principal protesto em Paris estava previsto para começar às 14h (horário local), na Praça da República.
“Estudantes do ensino médio, aposentados, universitários, trabalhadores, todos juntos. A união vence”, dizia uma faixa preparada para o protesto em Lyon.
Alguns dos manifestantes reunidos em Lyon carregavam máscaras ou óculos de proteção como precaução contra o uso de gás lacrimogêneo pela polícia.
As autoridades têm buscado reduzir as tensões depois que tumultos e saques em 17 de outubro pegaram as forças de segurança de surpresa, deixando lojas e prédios públicos danificados em todo o país e alimentando críticas à maneira como Macron conduziu a crise.
As autoridades francesas mobilizarão cerca de 70 mil policiais em todo o país. O serviço de inteligência interna espera que entre 500 mil e 700 mil pessoas participem das manifestações fora de Paris.
A greve já havia contribuído para uma redução na geração de energia nuclear da França no início desta quinta-feira. No entanto, não foram relatados grandes problemas na rede de transportes.
O Ministério da Educação informou que esperava a adesão de 17,5% dos professores da rede pública de ensino fundamental à greve.
Os estudantes afirmam que as condições nas escolas e a crescente incerteza sobre o próprio futuro continuam sendo grandes preocupações.
“Estamos tentando manter a mobilização o máximo possível. Algumas pessoas não estão participando porque têm medo. Muitas têm medo da violência policial”, afirmou Irma de Banville, estudante de 19 anos em Paris.
O governo francês defendeu a atuação da polícia, mas afirmou que eventuais abusos serão investigados.
Macron convocou uma reunião de defesa e segurança na quarta-feira, antes dos protestos. O encontro destacou como um movimento que começou com a indignação de estudantes diante da deterioração das condições nas escolas e das preocupações com as oportunidades para os jovens se transformou em um desafio mais amplo ao governo.
“O objetivo nas próximas semanas é fazer o rio que transbordou voltar ao seu leito e iniciar a eleição presidencial nas condições mais tranquilas possíveis”, afirmou uma autoridade próxima a Macron, apontando para a redução no número de escolas de ensino médio bloqueadas nesta semana em comparação com os momentos anteriores da crise.
Os protestos nacionais do último sábado foram, em geral, pacíficos, embora tenham ocorrido alguns confrontos nas áreas periféricas das manifestações. Ainda assim, o ambiente político permanece tenso, com candidatos se movimentando antes da eleição e partidos de oposição tentando capitalizar a insatisfação popular com o padrão de vida e as políticas do governo.