Super El Niño atinge anomalia recorde para outubro e registra o maior valor da história com +2,47ºC
- 05/11/2026 02:34
- Redação
Super El Niño de 2026 atingiu anomalia recorde em outubro ao alcançar +2,47°C. O fenômeno marca mais um índice histórico de aquecimento e é considerado um dos mais devastadores das últimas décadas.
As informações constam no último boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), divulgado na terça-feira (3).
Na última semana de outubro, a anomalia semanal alcançou +2,5 °C, o que também configura uma marca histórica. “É importante destacar que a comparação entre dados mensais e semanais requer cautela, pois representam períodos de referência distintos”, ressalta o meteorologista Leydson Dantas.
Analisando por regiões, na área conhecida como El Niño 3, de grande influência no clima da América do Sul, a anomalia mensal foi de 3,56 °C.
Os índices atuais se assemelham aos do El Niño de 1982, que registrou a maior anomalia para um mês de outubro. Naquela ocasião, a superfície do Oceano Pacífico Equatorial chegou a +2,07 °C, e o fenômeno se prolongou até o primeiro semestre de 1983.
Segundo os meteorologistas, o El Niño deste ano começou a se configurar em junho e apresentou um padrão de rápido aquecimento nos meses seguintes. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, o evento já tem possibilidade de se tornar um dos maiores já registrados.
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Segundo um levantamento da Lancet Countdown, iniciativa internacional que monitora as mudanças climáticas e a saúde mundial, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados.
“Agora, um El Niño severo ameaça agravar os impactos das mudanças climáticas e desencadear crises humanitárias climáticas sem precedentes no mundo todo. Devido às ameaças crescentes na última década, as mudanças climáticas se tornaram uma emergência global de saúde. Enfrentá-la exige correção urgente de rumo para promover ações coordenadas e baseadas em evidências através das fronteiras, a fim de proteger a saúde e a sobrevivência”, aponta o relatório.
Além das mortes por desidratação e da insegurança alimentar, o aumento das temperaturas favorece a transmissão de doenças como a dengue, visto que o mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus, se reproduz em ambientes mais quentes e úmidos.
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Previsões meteorológicas indicam um aumento da temperatura global que deverá atingir o nível crítico de 1,5 °C em 2030. O número é preocupante porque o Acordo de Paris, assinado em 2015 e voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa, tem como objetivo limitar o aumento da temperatura global, de modo a não ultrapassar 1,5 °C acima do período pré-industrial.
Para tentar evitar esse cenário, a ONU indica que são necessários cortes de 18% nas emissões até 2030 e de 45% até 2035, bem como a ampliação contínua da remoção de gás carbônico ao longo do século.
Segundo a organização, o aumento da temperatura global contribui para o desequilíbrio das estações climáticas e para o aumento das ondas de calor. Todos esses fatores agravam a poluição, que, por sua vez, resulta em mortes e doenças.