Estudo aponta combinação capaz de conter avanço de câncer de pulmão
- 05/11/2026 02:37
- Redação
Um estudo internacional com participação brasileira trouxe uma respiro esperançoso para o tratamento do câncer de pulmão: uma nova combinação de medicamentos conseguiu reduzir em 45% o risco de progressão da doença ou morte quando comparada à quimioterapia tradicional.
Em parceria com o IDOR (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino) e com centros de pesquisa de outros 16 países e pesquisadores da AstraZeneca, a pesquisa avaliou o uso de uma combinação inovadora de medicamentos direcionados contra mecanismos moleculares de resistência do tumor.
O estudo começou com testes em indivíduos que apresentavam mutação no gene EGFR (funciona como uma “antena” celular que recebe sinais para estimular o crescimento e a divisão das células) e que haviam sofrido progressão da doença durante o tratamento com medicamentos que causam alteração genética.
A saída encontrada pelos cientistas foi fechar os dois caminhos ao mesmo tempo. Em vez de recorrer apenas à quimioterapia comum, eles juntaram dois medicamentos: continuaram com o primeiro (osimertinibe) e acrescentaram um segundo (savolitinibe), bloqueando as duas antenas de uma só vez.
Mais de 300 voluntários participaram dos testes clínicos, divididos entre a nova dupla de remédios e a quimioterapia convencional. Quem recebeu a nova combinação teve uma redução de 45% no risco de a doença avançar ou levar à morte. Na prática, esses pacientes ficaram, em média, 7,6 meses com o tumor controlado, contra 5,4 meses daqueles que fizeram quimioterapia.
De acordo com a Dra. Clarissa Baldotto, pesquisadora do IDOR, médica da Oncologia D’Or e coautora do trabalho, os achados reforçam a necessidade de entender a fundo os motivos biológicos pelos quais o tumor volta a crescer. A especialista destaca que a identificação de uma alteração molecular ligada à resistência abre espaço para desenhar uma intervenção sob medida para aquele mecanismo específico, o que se traduziu em ganhos reais de controle da doença e sobrevida.
Exame de sangue que detecta mais de 50 tipos de câncer chega ao Brasil | CNN PRIME TIME
A diferença ficou ainda mais clara após um ano de acompanhamento: 36% dos pacientes tratados com os dois medicamentos continuavam vivos e com o tumor sob controle, enquanto no grupo da quimioterapia tradicional esse número foi de apenas 10%.
Com a colaboração de cientistas de instituições da China, França, Taiwan, Canadá, Austrália, Itália, Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Bélgica, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Argentina, Reino Unido e Polônia, o estudo conclui que a combinação de osimertinibe e savolitinibe estabelece um novo e consistente caminho terapêutico para prolongar a vida com controle tumoral em pacientes que esgotaram a resposta inicial ao tratamento padrão.
*Sob supervisão de Thiago Félix