Trump minimiza resultados das eleições nos EUA: “Eu não estava na cédula”
Internacional

Trump minimiza resultados das eleições nos EUA: “Eu não estava na cédula”

  • 04/11/2026 01:54
  • Redação

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não vê as derrotas do Partido Republicano nas eleições de Meio de Mandato como uma rejeição à sua presidência, num momento em que a CNN projeta que os democratas conquistarão o controle tanto da Câmara quanto do Senado americano.

“Mas não encaro isso como um golpe contra mim”, disse Trump em entrevista à Fox News.

“Tivemos os dois melhores anos na história da presidência em termos de economia, em termos de tudo o que realizamos”, declarou.

Ao ser questionado sobre qual seria sua mensagem final ao povo americano, o presidente parabenizou o partido adversário.

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“Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas”, declarou Trump. “Eles fizeram um bom trabalho. Estavam buscando isso há 11 anos e, finalmente, conseguiram”, disse.

Mais cedo, na mesma entrevista, Trump atribuiu as derrotas aos candidatos republicanos que ele apoiou. Ele afirmou que alguns deles “lutaram contra mim” e não conseguiram inspirar sua base a comparecer às urnas.

Nas redes sociais, ele afirmou que vetaria propostas democratas que dependessem de aprovação da Presidência, com a imagem de um boné com a palavra VETO bordada.

Trump publicou na Truth Social uma imagem com um boné escrito VETO em referência à vitória democrata nas Midterms de 2026 • Reprodução Truth Social/Donald J. Trump

Conquista histórica

O Partido Democrata deve conquistar o controle tanto da Câmara quanto do Senado dos EUA nas eleições de Meio de Mandato de 2026, em uma vitória histórica, segundo projeções da CNN.

Os democratas capitalizaram a impopularidade histórica do presidente Donald Trump para obter uma vitória expressiva, garantindo um poder significativo para conter ações do presidente e sua administração durante os dois anos finais de seu mandato.

Para conquistar a maioria, os democratas avançaram em estados republicanos, vencendo disputas em locais que não elegiam um democrata há décadas.

Isso incluiu a conquista de uma cadeira no Senado na Carolina do Sul, estado vencido por Trump com uma margem de 18 pontos percentuais em 2024, e outra no Texas, que não elegia um democrata para o senado desde 1988.

Além disso, obtiveram uma vitória no Kansas, estado que não elegia um senador democrata desde 1932.

Vitória histórica

Apenas duas vezes nos últimos 50 anos o controle de ambas as casas legislativas mudou no mesmo ciclo eleitoral.

A mudança no controle do Congresso coroa um período turbulento de 22 meses.

O início desse ciclo foi marcado pela chegada de Trump ao poder com uma postura agressiva, expandindo o controle do Executivo com a anuência de um Congresso dominado pelos republicanos e de diversas instituições. O desfecho é uma derrota contundente para os republicanos nas eleições de meio de mandato.

Os principais fatores parecem ser a inflação, as tarifas impostas por Trump, a guerra no Irã e a preocupação dos eleitores com a conduta de Trump e seu enriquecimento pessoal.

Pesquisas com eleitores realizadas pela CNN indicam que mais de 6 em cada 10 eleitores desaprovam Trump, sendo que a maioria expressa uma desaprovação contundente. Dois terços dos entrevistados afirmaram que as políticas de Trump pioraram a economia.

A vitória dos democratas na Câmara era amplamente esperada, visto que precisavam conquistar apenas três cadeiras a mais para alcançar a maioria — e, historicamente, o partido do presidente tende a perder assentos nas eleições de meio de mandato.

Contudo, a capacidade dos democratas de conquistar o Senado torna este um pleito notável. Para isso, foi necessário vencer em várias disputas onde Trump havia triunfado, em 2024, com uma margem de dois dígitos.

Ao final, os democratas garantiram vitórias na Carolina do Sul, Texas, Ohio, Kansas e Iowa. O tamanho exato das maiorias dos democratas ainda não foi definido, à medida que os resultados finais da eleição são contabilizados.

No entanto, parece que os democratas terão uma certa margem de manobra em ambas as casas legislativas. Por outro lado, o poder de veto de Trump e a exigência de 60 votos para a aprovação da maior parte da legislação no Senado tornam muito improvável que eles consigam aprovar grande parte de sua agenda prioritária.

Contudo, o controle das casas legislativas confere aos democratas maior poder para investigar o que considerarem pertinente, inclusive com a prerrogativa de emitir intimações para essas investigações.

Paralelamente, o controle do Senado permite que os democratas barrem as indicações judiciais de Trump — inclusive na eventualidade de uma vaga na Suprema Corte.

 

  • Fonte: CNN Brasil
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