Brasilagro descarta recompra de ações e prioriza redução da dívida
- 03/11/2026 21:13
- Redação
A Brasilagro não pretende lançar um programa de recompra de ações no curto prazo, mesmo diante do desconto dos papéis na bolsa de valores. A prioridade da companhia é reduzir o endividamento, estratégia que, na avaliação do CEO, André Guillaumon, oferece hoje um retorno superior ao de outras alternativas de alocação de capital, como a aquisição de novas propriedades rurais ou a recompra dos próprios papéis.
Durante conversa com jornalistas para divulgação de resultados financeiros, o executivo afirmou que a empresa compara três possibilidades de investimento: comprar terras, recomprar ações ou amortizar dívidas. Na avaliação dele, a redução do endividamento é atualmente a alternativa mais vantajosa, diante do custo de capital e das perspectivas para os juros de longo prazo.
“Se eu fizer uma TIR de cada negócio, comprar uma fazenda, recomprar a ação e pagar dívida, não tenho dúvida de que a melhor TIR hoje é a redução do endividamento”, afirmou.
Segundo Guillaumon, novos projetos de aquisição de terras apresentam taxas internas de retorno (TIR) estimadas entre 6% e 7%. Já a redução da dívida proporcionaria um retorno de aproximadamente 9% a 10%, descontada a inflação.
O CEO reconheceu que as ações da companhia sofreram com a volatilidade recente do mercado, principalmente no dia seguinte as eleições para presidente, mas avaliou que a queda foi menor do que a observada em outros setores mais sensíveis aos juros. “Papéis de construtoras e empresas industriais chegaram a recuar entre 40% e 45%, as ações da Brasilagro caíram 16% a 17% e já estão apresentando alguma recuperação”, afirmou.
Na avaliação do executivo, uma queda mais acentuada poderia tornar a recompra de ações mais atrativa. No entanto, com o nível atual dos papéis e o retorno esperado com a redução da dívida, a empresa não vê justificativa para iniciar um programa neste momento.
“Estamos monitorando, mas não temos isso no radar para recomprar no curto prazo”, disse.
Apesar de priorizar a redução da dívida, a Brasilagro continua acompanhando oportunidades de aquisição de propriedades rurais. Guillaumon afirmou que a companhia observa sinais de estresse financeiro no setor, que podem abrir espaço para negócios envolvendo ativos agrícolas.
A estratégia, porém, depende da capacidade de encontrar propriedades com retorno compatível com o custo de capital. O executivo avalia que a alta dos juros de longo prazo reduz a atratividade de novos investimentos e exige maior disciplina na alocação de recursos.
A companhia encerrou o primeiro trimestre fiscal de 2027 com dívida líquida ajustada de R$ 136,3 milhões, redução de 51% em relação aos R$ 280,5 milhões registrados em junho. A relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda dos últimos 12 meses caiu de 2,82 vezes para 1,05 vez.
Juros e desempenho das ações
Para Guillaumon, a recuperação das ações da Brasilagro dependerá de dois fatores, a trajetória da curva de juros e as expectativas de resultado operacional da companhia.
O executivo avalia que o ambiente de juros elevados tende a pressionar empresas de diferentes setores, mas pondera que o negócio agrícola pode apresentar perspectivas relativamente melhores diante da recuperação das cotações internacionais da soja e da desvalorização cambial.
Na leitura do CEO, a melhora das condições para os produtores pode favorecer os resultados do agronegócio e contribuir para uma recuperação dos papéis do setor. Ainda assim, a empresa pretende manter o foco na disciplina financeira, priorizando a redução do endividamento antes de considerar uma recompra de ações.