Expulsão da escola, prisão e duelo mortal: quem foi o gênio rebelde que revolucionou a matemática aos 15 anos e enfrentou a monarquia francesa em 1830
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Expulsão da escola, prisão e duelo mortal: quem foi o gênio rebelde que revolucionou a matemática aos 15 anos e enfrentou a monarquia francesa em 1830

  • 03/11/2026 13:38
  • Redação

Jovem francês revolucionário e irreverente, o matemático Évariste Galois viveu em 20 anos o que muitos não experimentam em um século.

Sua juventude foi conturbada por dificuldades para se expressar e explicar seus pensamentos, intrigas violentas com colegas e superiores e uma morte precoce que o transformou em lenda.

Um gênio com métodos inusitados

O pequeno Évariste era filho de um professor que virou prefeito, numa época em que republicanos e monarquistas estavam em plena disputa pelo poder na França. Educado em casa por sua mãe até os 12 anos, o menino cresceu mais interessado em política do que nas matérias escolares até começar a frequentar o colégio.

Galois apaixonou-se imediatamente pela matemática, debruçando-se sobre livros de teóricos anteriores como Adrien-Marie Legendre e Joseph-Louis Lagrange. No entanto, seu entusiasmo não se convertia em domínio da terminologia científica nem se estendia a outros campos de estudo; ele era considerado um aluno difícil por seus professores.

Aos 17 anos, ele tentou entrar para a faculdade École Polytechnique, instituição com foco em matemática com grande prestígio na França. No exame, apesar de conseguir resolver as equações solicitadas, Galois fazia todos os cálculos de cabeça, sem demonstrar seu caminho lógico até a resposta. A teimosia do estudante causou sua recusa pela banca.

Relatos históricos dizem ainda que o francês tentou um segundo exame, mas a insistência dos examinadores para que demonstrasse suas resoluções por escrito o teria irritado tanto que acabou atirando um apagador de lousa na direção de um professor.

Évariste precisou se contentar com uma faculdade de menor reputação, a École Normale, onde se propôs a solucionar um dos grandes problemas da álgebra abstrata: a resolução de equações polinomiais de grau cinco.

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Política e matemática andam juntas

Os estudos não fizeram Galois esquecer de sua veia política. Pelo contrário: a militância republicana passou a significar tanto para o jovem que tomou precedência sobre a vida acadêmica, mesmo levando à perda de diversas oportunidades.

Embora tenha conseguido publicar alguns artigos pela Academia Francesa, o principal trabalho do matemático não havia sido aceito. Levaria algum tempo até que ele aperfeiçoasse e voltasse a descrever por escrito sua Teoria de Grupos, uma das grandes ideias revolucionárias da álgebra.

Enquanto isso, um acontecimento pessoal abalou a vida do adolescente. Seu pai, prefeito de Bourg-la-Reine, cometeu suicídio após intensa pressão de opositores monarquistas.

Depois disso, a dedicação de Galois a formar uma República francesa só aumentou. Ele passou a defender seus ideais e organizar estudantes dentro da École, acabando expulso após enviar carta criticando o diretor por não permitir a entrada de uma manifestação no campus.

Fora da faculdade, ele alistou-se em uma milícia do exército real francês que organizava uma insurreição contra o rei Carlos X. O governo conseguiu dissolver o grupo pouco depois, mas Galois ainda foi preso duas vezes por ameaçar a monarquia.

A morte misteriosa

Não se sabe qual grande perigo levou o matemático a retomar, no dia 29 de maio de 1832, a tarefa de registrar sua teoria. Ele escreveu à mão extensas demonstrações em manuscritos que depois seriam descobertos por sua mãe, enviados a um amigo e publicados póstumamente. Entre textos sobre matemática e política, estava uma carta a Auguste Chevalier, parceiro próximo do jovem.

Nela, Galois argumenta contra a rejeição de sua teoria pela Academia Francesa, diz ter feito correções à demonstração e que existem outras mudanças a fazer, mas que ele “não tem tempo”.

No dia seguinte, uma disputa terminaria com Évariste, de apenas 20 anos, morto por um tiro na barriga.

Existem diferentes versões para o assassinato: um duelo travado contra um rival, que cortejava a mesma mulher que Galois; um ataque por grupos monarquistas, ou até mesmo uma morte planejada por ele mesmo, como maneira de incitar uma revolta republicana.

Anos depois, suas memórias viraram livro e sua Teoria de Grupos foi publicada na Revue Encyclopédique, e depois no Journal de Mathématiques Pures et Apliquées. Hoje, ela faz parte da base matemática que sustenta a computação, a criptografia e a física.

  • Fonte: CNN Brasil
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