Plantio da soja ganha ritmo, mas irregularidade das chuvas preocupa
- 03/11/2026 13:43
- Redação
O plantio da soja da safra 2026/27 se aproximou de 50% da área cultivada no Brasil em outubro, após ganhar ritmo com o retorno das chuvas sobre o Brasil Central. O avanço coloca o calendário nacional à frente do observado nas últimas cinco safras, reduzindo o risco de concentração excessiva da semeadura em novembro.
A avaliação é da Consultoria Agro do Itaú BBA, que aponta, apesar da evolução dos trabalhos no campo, a irregularidade das precipitações e a redução da umidade do solo em partes do Centro-Oeste como principais pontos de atenção para a temporada.
Segundo o relatório, o Mato Grosso recuperou a velocidade do plantio na segunda metade de outubro, após um início mais lento devido à espera por chuvas regulares. A retomada é considerada importante não apenas para a oleaginosa, mas também para o calendário das culturas de segunda safra, especialmente milho e algodão.
No Paraná, a disponibilidade de umidade favoreceu o avanço mais contínuo da semeadura. Entretanto, o excesso de chuvas em algumas regiões provocou desaceleração e trouxe preocupações sobre possíveis prejuízos às lavouras, incluindo a necessidade de replantio. Ainda assim, o impacto sobre o calendário tende a ser menor, já que o estado possui uma janela de plantio mais extensa.
Mato Grosso do Sul e Goiás também apresentam evolução consistente, embora dependam da continuidade das precipitações. Já na Bahia, em Tocantins e no Maranhão, os trabalhos começaram ou ganharam intensidade com a chegada das chuvas, mas a distribuição irregular mantém diferenças entre as regiões produtoras.
Em Minas Gerais e São Paulo, o plantio segue trajetória próxima ao padrão sazonal. No Rio Grande do Sul, a semeadura permanece em estágio inicial, em linha com a janela mais tardia do estado.
O avanço da semeadura em outubro é considerado estratégico para preservar a janela de plantio do milho e do algodão de segunda safra. Isso porque a data de implantação da soja determina o momento da colheita e, consequentemente, a liberação das áreas para as culturas seguintes.
No Mato Grosso, o Itaú BBA avalia que a recuperação do plantio na segunda metade de outubro reduziu a probabilidade de um atraso generalizado da segunda safra. A consultoria destaca que o desempenho da safra atual é mais favorável do que o observado em 2015/16 e apresenta uma configuração ligeiramente melhor que a de 2023/24, outros períodos marcados pelo fenômeno El Niño.
De acordo com o levantamento, a área de soja equivalente à projetada para o cultivo de milho e algodão de segunda safra no estado foi implantada dentro da janela considerada ideal.
O relatório ressalta que atrasos na semeadura da oleaginosa podem concentrar a colheita em janeiro e fevereiro, reduzindo o tempo disponível para a implantação das culturas seguintes antes do enfraquecimento das chuvas.
Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a preocupação também está relacionada à possibilidade de redução antecipada das precipitações em partes do Cerrado, cenário geralmente associado ao El Niño. Nesse contexto, a recuperação do calendário da soja ajuda a diminuir a exposição climática da segunda safra.
Apesar da melhora no ritmo de plantio, a umidade do solo continua sendo um fator de atenção. Após as precipitações registradas no fim de setembro e no início de outubro, a frequência e a intensidade das chuvas diminuíram em partes do Centro-Oeste. Com as temperaturas elevadas, a perda de umidade se acelerou.
No Mato Grosso, foram registrados relatos pontuais de necessidade de replantio em algumas áreas. Segundo o Itaú BBA, os casos são limitados e, até o momento, não comprometem o potencial produtivo do estado, especialmente se as chuvas previstas pelos modelos meteorológicos se confirmarem.
As projeções indicam aumento da abrangência e do volume das precipitações entre 29 de outubro e 12 de novembro. A expectativa é que a melhora favoreça a continuidade da semeadura e recomponha a umidade do solo no Centro-Oeste, embora a distribuição das chuvas permaneça mais irregular no Norte do país.
Para o período entre novembro e fevereiro, os modelos apontam maior propensão a volumes de chuva acima da média no Sul, enquanto áreas do Centro-Norte devem enfrentar precipitações mais irregulares.
Na avaliação da consultoria, a confirmação das chuvas previstas para o início de novembro será determinante para consolidar a emergência das lavouras, reduzir o risco de replantio e permitir o desenvolvimento vegetativo das plantas sem prejuízos relevantes ao calendário.
Caso as precipitações se confirmem, áreas que começaram a apresentar sinais de estresse hídrico poderão retomar um desenvolvimento mais vigoroso, preservando as perspectivas de produtividade da safra 2026/27.