Binance retoma saques após recuperar 95% de US$ 6,3 bi roubados em ataque
Economia

Binance retoma saques após recuperar 95% de US$ 6,3 bi roubados em ataque

  • 01/11/2026 01:39
  • Redação

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, afirmou que retomará os saques gradualmente na manhã deste domingo (1º), entre 3h e 6h, no horário de Brasília. A primeira fase incluirá bitcoin, ether, BNB, Solana, XRP, dogecoin e outros tokens.

As operações acontecem após a empresa cobrir 95% dos US$ 6,3 bilhões em tokens roubados de sua plataforma no maior roubo de ativos digitais da história, atribuído pelo FBI à Coreia do Norte.

Em comunicado, a Binance afirma que o objetivo é “restabelecer os saques gradualmente, à medida que concluímos as verificações de segurança e prontidão. Os serviços de depósito continuam abertos e não foram afetados pelo incidente.”

“Os fundos dos usuários continuam seguros. A Binance absorverá o impacto financeiro dos fundos roubados, e não os usuários”, diz a corretora.

Os 5% restantes dos tokens roubados correspondem a ativos com menor liquidez, cuja aquisição nas quantidades necessárias pode levar mais tempo, publicou a Binance.

Segundo a empresa, os saques foram temporariamente suspensos por precaução enquanto as equipes trabalhavam para conter as perdas decorrentes do incidente, avaliar seu impacto, restabelecer os serviços afetados e concluir as verificações de segurança.

“Não tomamos essa decisão levianamente. Entendemos a importância de garantir aos usuários acesso confiável aos saques. No entanto, nossa prioridade foi proteger os usuários, preservar a segurança da plataforma e concluir as verificações necessárias antes de restabelecer os serviços.”

O FBI afirmou no sábado (31) que a unidade patrocinada pelo Estado norte-coreano conhecida como TraderTraitor foi responsável pelo ataque.

Pyongyang nega há anos utilizar unidades cibernéticas ligadas ao Estado para espionagem, roubos financeiros e geração de receita. A missão do país em Genebra e a embaixada na China não responderam aos pedidos de comentário.

Integrantes da unidade foram vistos por autoridades policiais convertendo os ativos roubados em ether, a criptomoeda da rede Ethereum, informou o FBI em comunicado. A agência acrescentou que espera “novas operações de lavagem” dos ativos por meio de tecnologias relacionadas.

O que aconteceu?

Cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas foram retirados de carteiras que a Binance usa para processar transações, de acordo com a exchange e análises de especialistas em registros da blockchain.

A Binance afirmou em um comunicado na plataforma X que inicialmente pensou que o ataque tivesse envolvido um laptop comprometido.

“No entanto, nossa investigação subsequente descobriu pontos de violação adicionais”, acrescentou, sem dar mais detalhes.

De acordo com o site da corretora, ela opera um fundo de ativos seguro para os usuários, uma reserva de US$ 1 bilhão em bitcoins destinada a proteger os clientes em caso de violação de segurança.

O co-CEO Richard Teng afirmou que as perdas seriam cobertas pelo fundo e pelos recursos da empresa.

Segundo a empresa americana de análise de blockchain TRM Labs , os atacantes comprometeram a “infraestrutura de assinatura” da Binance, que autoriza transações, permitindo que eles emitissem instruções que esvaziaram as carteiras afetadas.

A maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, conforme mostram os registros da blockchain, começando pouco depois das 17h de quinta-feira (29), no horário de Brasília.

Após a movimentação dos fundos, os atacantes correram para transferi-los para um local fora do alcance das contrapartes da Binance e dos emissores de stablecoins, que congelaram aproximadamente metade dos ativos roubados.

Uma característica incomum de algumas criptomoedas, incluindo as principais stablecoins como USDT da Tether e USDC da Circle, é que seus emissores podem congelá-las remotamente.

“Em termos leigos, o atacante pode não ter roubado a chave do cofre, mas sim sequestrado o sistema que instrui o cofre a liberar o dinheiro”, disse Joshua Chu, um advogado de Hong Kong que trabalha com casos envolvendo criptomoedas.

*Com informações da Reuters

  • Fonte: CNN Brasil
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