Qual a origem do tabuleiro Ouija, que supostamente contata espíritos e faz sucesso em histórias de filmes de terror
- 31/10/2026 18:00
- Redação
O tabuleiro Ouija, que supostamente estabelece a comunicação entre o mundo material e o espiritual, é um dos itens mais conhecidos da cultura popular. A superfície de madeira contém o alfabeto, números de 1 a 10 e as palavras “sim”, “não” e “adeus”, que servem para as almas que habitam o “outro lado” se comunicarem com os vivos.
Hoje, é possível encontrar esse tabuleiro em diversos sites de venda online, seja para tentar provar que o mundo espiritual existe ou apenas para se divertir com os amigos, já que os filmes de terror popularizaram o objeto. Mas sua origem está atrelada ao final do século XIX, quando o espiritualismo se popularizou na Europa e na América.
Segundo o site do governo britânico, as mortes durante a Guerra Civil Americana despertaram o interesse sem precedentes na comunicação com os mortos. Muitas famílias não tinham corpos para enterrar, tornando a promessa de contato do espiritualismo poderosa.
Na época, falar com os mortos não era considerado algo bizarro, e os usuários eram principalmente cidadãos das classes média e alta em busca de conforto e respostas.
Os empreendedores Charles Kennard e EC Reiche, junto do advogado Elijah Bond, se uniram para fabricar o objeto que facilitaria a comunicação entre os dois mundos. Já o nome surgiu por meio da médium Helen Peters que, quando perguntou ao tabuleiro, o objeto soletrou a palavra “Ouija”. Ao questionar o significado, ele respondeu: “boa sorte”.
A empresa de Kennard e Reiche surgiu na véspera do Halloween de 1890, e a propriedade intelectual do tabuleiro foi concedida após ele soletrar o nome do escritório de patentes corretamente. Um ano depois, o empresário William Fuld assumiu a empresa e reivindicou a patente do objeto para si.
Fuld impulsionou as vendas do tabuleiro, atribuindo a palavra “Oracle” para a marca comercial nos Estados Unidos. Em 1927, o empresário morreu após cair do telhado de sua nova fábrica, e a alegação de que o tabuleiro Ouija teria instruído Fuld a construir o próprio prédio aumentou a reputação misteriosa acerca do objeto.
O clássico “O Exorcista“, de 1973, mudou a percepção sobre o verdadeiro significado do tabuleiro Ouija. O instrumento espiritual se transformou em um objeto de terror, expandindo o mercado para decorações de Halloween e até para edições de colecionador.
Os fabricantes capitalizaram o produto, produzindo de tudo, desde modelos que brilham no escuro até reproduções vintage.
Em 2016, o filme “Ouija” também usa o objeto em uma trama sobrenatural. Em 1960, a filha de uma falsa médium tenta se comunicar com seu pai morto usando um tabuleiro, mas acaba liberando um demônio.