Usar suplementos sem orientação pode colocar a saúde em risco? Entenda
Saúde

Usar suplementos sem orientação pode colocar a saúde em risco? Entenda

  • 31/10/2026 02:37
  • Redação

A busca por mais energia e resultados rápidos nos treinos colocaram os potes de creatina, whey protein e multivitamínicos em evidência nas prateleiras dos brasileiros. No entanto, consumir essas substâncias sem orientação médica pode causar riscos sérios à saúde.

À CNN Brasil, a nutriconista Rafaela Kherlakian, especializada em clínica funcional, explicou que principal risco desse hábito é consumir nutrientes ou substâncias em quantidades inadequadas, sem considerar as reais necessidades do organismo, o histórico clínico e a alimentação habitual.

Nem todas as pessoas precisam suplementar, já que grande parte das vitaminas, minerais e proteínas pode ser obtida por meio de uma alimentação equilibrada.

afirma Rafaela

O uso sem orientação pode provocar desconfortos gastrointestinais, consumo excessivo de determinados nutrientes e interações com medicamentos. Além disso, pode mascarar problemas nutricionais que precisam ser investigados.

Também é preciso ressaltar que cada suplemento atua de forma distinta no organismo. Segundo Rafaela, a creatina monohidratada, por exemplo, apresenta um perfil de segurança bem consolidado em adultos saudáveis nas doses recomendadas.

O risco maior costuma estar nos multivitamínicos e no hábito de misturar múltiplos produtos, em que a sobreposição de ingredientes pode gerar megadoses indesejadas.

Suplementos são indispensáveis?

A alimentação saudável costuma suprir plenamente as necessidades do corpo. O whey protein, por exemplo, funciona como uma fonte prática de proteína — papel também desempenhado por ovos, carnes, peixes, laticínios ou combinações vegetais.

É uma boa opção para idosos, atletas ou pessoas com rotinas ágeis que possam enfrentar dificuldades para atingir a meta proteica apenas pela alimentação.

Já a creatina ela auxilia no ganho de força e no desempenho em treinos de alta intensidade. Ela é produzida pela copor e também obtida pela alimentação.

A suplementação, nesse caso, permite atingir as concentrações utilizadas em estudos de alta performance com maior facilidade. Mesmo com esse objetivo, a especialista alerta que a creatina não substitui o treino, assim como o whey não substitui o prato de comida.

Quanto mais proteína, melhor?

Segundo a nutricionista, consumir mais proteína do que o necessário não significa ganhar mais massa muscular.

A síntese de proteínas musculares depende de fatores como a prática de exercícios, o consumo energético adequado, a distribuição das proteínas ao longo do dia e as necessidades individuais.

O mais importante não é consumir o máximo possível, mas atingir a quantidade adequada para cada organismo e objetivo.

diz a especialista

Vitaminas em excesso também trazem riscos?

A especialista afirma que a ideia de que vitaminas não fazem mal por serem nutrientes essenciais é um engano comum.

As chamadas vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) são armazenadas no organismo junto com as gorduras e, quando consumidas em excesso, podem se acumular a ponto de causar toxicidade.

  • Vitamina A: O consumo desenfreado pode causar alterações no fígado, dores de cabeça graves e riscos durante a gestação.
  • Vitamina D: Megadoses aumentam desproporcionalmente os níveis de cálcio no sangue, abrindo margem para complicações renais.
  • Vitamina E: Doses elevadas elevam o risco de sangramentos;
  • Vitamina K: o excesso pode interferir na ação de medicamentos anticoagulantes, como a varfarina.

Cuidados e alertas

Para evitar desperdício de dinheiro e riscos à saúde, o primeiro passo antes de usar deve ser a avaliação clínica.

O nutricionista tem o papel de identificar se a suplementação é realmente necessária e, quando indicada, estabelecer o tipo de produto, a quantidade, a frequência e a duração de uso mais adequadas para cada pessoa.

Em alguns casos, exames laboratoriais como creatinina, taxa de filtração glomerular, hemograma, vitamina B12, vitamina D e dosagens de ferritina ajudam a desenhar a real necessidade do paciente.

Rafaela também alerta que não se deve comprar suplementos apenas pelo apelo do desconto, especialmente em épocas de grandes liquidações.

A melhor suplementação não é a mais cara, a mais famosa ou a que está com o maior desconto. É aquela que realmente atende às necessidades do organismo.

diz Kherlakian

 

  • Fonte: CNN Brasil
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