Em plena noite de Halloween, soviéticos tiraram o corpo de Stalin do mausoléu de Moscou após história sobre o ‘fantasma’ de Lênin
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Em plena noite de Halloween, soviéticos tiraram o corpo de Stalin do mausoléu de Moscou após história sobre o ‘fantasma’ de Lênin

  • 30/10/2026 19:15
  • Redação

Em pleno Dia das Bruxas de 1961, uma operação na Praça Vermelha de Moscou reabriu o mausoléu de Vladimir Lenin e retirou de lá o cadáver de Josef Stalin.

Não se tratava de um ritual de Halloween, mas de uma das diversas ações promovidas pela União Soviética para enfraquecer o stalinismo e o “culto à personalidade” percebido em torno da figura do antigo líder.

Por ordem do então primeiro-ministro Nikita Khrushchov, o corpo foi enterrado em uma cova simples na Necrópole da Muralha do Kremlin, sinalizado apenas por uma placa de mármore gravada com as iniciais, sobrenome e data de morte do governante.

Dois líderes dividindo um túmulo

Por sete anos, o mausoléu de pedra no centro da Praça Vermelha teve como ponto central os caixões transparentes de Vladimir Lenin, para quem o local foi construído, e de Josef Stalin.

A ideia de preservar o corpo de Lenin foi do Partido Comunista e ganhou apoio do próprio Stalin. Para os revolucionários, o povo não poderia despedir-se de uma figura tão amada; conservar a oportunidade de visitá-lo e manter seu cadáver em condições honrosas, ou seja, com decomposição mínima, era prolongar o respeito e o culto ao pai da União Soviética.

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Para isso, o governo da época optou por embalsamar Lenin utilizando uma série de processos físicos e químicos que, até hoje, precisam ser “retocados” periodicamente para evitar a degradação do corpo.

Seu sucessor, Stalin, governou por três décadas e morreu ainda com grande apoio político, em 1953. Apesar de seus conflitos pessoais, a dupla de comunistas era vista como dois lados da mesma moeda, ambos reverenciados pela população e creditados pela derrubada do capitalismo e a unificação do território.

Portanto, foi natural que o partido decidisse dar a Stalin o mesmo tratamento honroso reservado ao corpo de Lênin. Ele foi enterrado ao lado do antecessor em seu próprio caixão de vidro, onde permaneceu por sete anos.

Desconstruindo o mito

A reverência por Stalin, no entanto, não perdurou. Os líderes seguintes da União Soviética iniciaram um processo de reeducação política conhecido como “desestalinização”: uma tentativa de erradicar a violência e o autoritarismo do governo por meio da desconstrução do mito stalinista.

O principal promotor deste movimento foi Nikita Khrushchov, cuja liderança também foi marcada pelo avanço tecnológico, pela Guerra Fria travada com os Estados Unidos e pelo início da fragmentação dos territórios soviéticos.

Stalin foi retirado de seu caixão de vidro e enterrado na Muralha do Kremlin • Wikimedia Commons

O enterro de Stalin

Em 30 de outubro de 1961, o Congresso do Partido Comunista Soviético aprovou com unanimidade a remoção do corpo de Josef Stalin do Mausoléu da Praça Vermelha, deixando exposto apenas Vladimir Lênin.

Na reportagem publicada pelo jornal The New York Times no mesmo dia, a decisão era descrita como “símbolo da derrota dos elementos da União Soviética que se opõem às reformas pós-Stalin”.

A matéria também cita um depoimento de uma militante bolchevique, Dora Lazurkina, que afirmou na sessão do Congresso que “venerava” Vladimir mesmo depois de ser presa pela polícia do governante. No entanto, ela teria mudado de ideia por “ter conversado com Lenin, que vive em seu coração”.

“Ontem, eu falei com ele novamente, como se ele estivesse diante de mim e vivo. E ele disse que era desconfortável deitar ao lado de Stalin, que prejudicou tanto o partido”, diz a citação do discurso de Dora segundo o jornal americano. A fala teria sido recebida pelos congressistas com “aplausos contínuos e estrondosos”.

A operação de retirada do corpo começou na manhã seguinte, em 31 de outubro, Dia das Bruxas na cultura ocidental. Stalin foi enterrado junto a outros ícones do Partido Comunista junto à Muralha Vermelha que circunda a praça em Moscou.

Não houve cerimônia: apenas uma pequena equipe de coveiros estava presente. Ao longo dos anos, seu túmulo ganhou uma decoração robusta e virou outro ponto turístico na cidade. Inicialmente, foi marcado apenas com uma lápide simples e plana.

  • Fonte: CNN Brasil
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