Juros futuros sobem com cautela do mercado após vitória de Lula
Economia

Juros futuros sobem com cautela do mercado após vitória de Lula

  • 29/10/2026 15:47
  • Redação

Após oscilarem com leves baixas mais cedo, as taxas dos DIs de longo prazo ganharam força e ​fecharam a quinta-feira (29) com altas, na contramão dos Treasuries, com o ​mercado sensível aos desdobramentos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os contratos de curto prazo, as taxas encerraram com leves baixas.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,355%, em queda de 5 pontos-base ante o ajuste de 14,405% da véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,23%, com alta de 10 pontos-base ante 15,13%.

Os Estados Unidos divulgaram pela manhã que o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu 3,4% no ⁠terceiro trimestre do ano, acima da projeção de ​3,2% dos economistas ouvidos pela Reuters, enquanto os gastos do consumidor em setembro avançaram 0,5%.

Já o PCE (núcleo ​do índice de inflação), bastante acompanhado pelo Fed (Federal Reserve) para a formulação da política monetária, subiu 0,3% em setembro, ⁠em linha com o esperado. O PCE cheio avançou 0,5% ⁠no mês passado.

Em outra divulgação, os EUA informaram que os pedidos de auxílio-desemprego no país somaram ​194 ‌mil na semana passada, ante estimativa de 199 mil.

Na esteira dos números, os rendimentos dos Treasuries passaram a exibir baixas firmes, ⁠em uma sessão em que o petróleo Brent também se manteve em queda, ainda que limitada.

No Brasil, as taxas dos DIs de longo prazo exibiram leves baixas ante os ajustes da véspera, em sintonia com o recuo dos Treasuries, mas ao longo da manhã ‌ganharam ⁠força e migraram para ‌o território positivo.

Às 14h13, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 15,385% (+26 pontos-base).

Operador ouvido pela Reuters pontuou que a vitória de Lula, que surpreendeu negativamente o mercado, continuava a influenciar os negócios.

Ao mesmo tempo em que aguardavam indicações ⁠sobre quem ocupará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da ⁠Fazenda, os agentes esperavam por detalhes sobre como será a política fiscal do novo governo Lula. O controle das contas públicas segue como a principal ‌preocupação dos investidores.

Em postagem em rede social nesta quinta-feira, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que o “tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular” e que o “candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA”.

Ministro da Fazenda repercute reação do mercado após reeleição de Lula | ABERTURA DE MERCADO

Na quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL) – candidato derrotado à Presidência da República, que tinha o apoio da Faria Lima – chegou aos ‌EUA após fugir do Brasil.

Investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio se declarou em carta “legítimo presidente eleito” e, posteriormente, “líder do Brasil”.

Os partidos da base de apoio de Flávio, no entanto, reconheceram a eleição ⁠de Lula.

No mercado, um dos receios é de que a presença de Flávio nos EUA eleve os atritos do país com o Brasil, o que poderia afetar a economia e, no limite, o câmbio e os juros.

Pela manhã, o Tesouro Nacional informou que o ​governo central registrou forte elevação de receitas em setembro e alcançou no mês um superávit primário de R$ 4,839 bilhões. O resultado ​foi melhor que o saldo negativo de R$ 14,379 bilhões observado no mesmo mês de 2025.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, fosse superavitário em R$ 4,650 bilhões no mês passado. Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – ‌caía 7 pontos-base, a 4,972%.

 

 

  • Fonte: CNN Brasil
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