Exportações do agro à UE crescem 15% nos cinco primeiros meses de acordo
- 29/10/2026 14:32
- Redação
As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia somaram US$ 12,2 bilhões entre maio e setembro de 2026, alta de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando as vendas alcançaram US$ 10,6 bilhões. O avanço representa um incremento de US$ 1,57 bilhão em cinco meses.
Os dados são do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), e abrangem os 27 países do bloco europeu.
A aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a UE começou em 1º de maio de 2026. O tratado prevê a redução ou eliminação de tarifas de importação para diferentes produtos, de acordo com cronogramas específicos e condições negociadas para cada classificação tarifária.
As condições variam conforme o produto. Enquanto determinados itens podem ter tarifas eliminadas desde o início da aplicação do acordo, outros seguem cronogramas de redução ao longo de vários anos ou estão sujeitos a condições específicas.
Entre os setores que registraram crescimento nas exportações, estão:
* OBS: O resultado também deve ser analisado no contexto das restrições sanitárias que afetaram o comércio de proteínas brasileiras a partir de 3 de setembro. A categoria do Agrostat, porém, não permite identificar qual tipo de carne puxou o crescimento nem mensurar o impacto das restrições sobre as vendas para a UE.
Café e sucos registram queda
Apesar do crescimento geral das exportações do agronegócio, alguns setores registraram recuo no período:
Abacates, mel e óleo de milho lideram altas
Dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) focam principalmente nas exportações brasileiras de seis produtos agropecuários e agroindustriais para a União Europeia, que cresceram 137,3% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
As vendas somaram US$ 379,7 milhões nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, ante US$ 160 milhões em 2025.
Entre os produtos analisados, os abacates frescos registraram a maior expansão percentual. As exportações passaram de US$ 3,8 milhões, entre maio e setembro de 2025, para US$ 19,9 milhões no mesmo período de 2026, alta de 421,2%.
As vendas de mel natural avançaram 367,1%, de US$ 2,3 milhões para US$ 10,8 milhões. Já as exportações de óleo de milho cresceram 266,3%, de US$ 35,3 milhões para US$ 129,4 milhões.
O etanol também apresentou aumento expressivo. As vendas ao mercado europeu passaram de US$ 67,5 milhões para US$ 131,8 milhões, crescimento de 95,2%.
No caso do óleo essencial de laranja, as exportações avançaram 75,8%, de US$ 47,1 milhões para US$ 82,7 milhões. As vendas de maçãs frescas cresceram 28,8%, de US$ 4 milhões para US$ 5,1 milhões.
Nota: Mesmo com crescimento em diversos setores, a comparação relacionada aos dados do Agrostat não permite atribuir diretamente o avanço às concessões comerciais, já que outros fatores também influenciam o desempenho das vendas externas.
Além disso, os dados agregados não permitem identificar, em todos os casos, quais produtos específicos foram beneficiados pelas novas condições de acesso ao mercado europeu.
Cabe ainda destacar que o Mapa e o Mdic utilizam metodologias diferentes.
Acordo UE e Mercosul vale a partir desta sexta (1°) | CNN AGRO NEWS