Maioria de 61 cadeiras gera governo fraco em Israel, diz especialista
Internacional

Maioria de 61 cadeiras gera governo fraco em Israel, diz especialista

  • 29/10/2026 09:47
  • Redação

A formação de um governo com apenas 61 cadeiras no Knesset, o Parlamento de Israel, é viável, mas resulta em uma administração extremamente frágil e suscetível a colapsos. A avaliação é de Samuel Feldberg, diretor acadêmico da StandWithUs Brasil, em entrevista à CNN.

Segundo Feldberg, a margem mínima de 61 cadeiras torna o governo vulnerável a qualquer dissidência interna. “Qualquer um que acorda com dor de barriga e decide não apoiar o governo, o governo cai”, afirmou.

Ele citou como exemplo o governo anterior, derrubado por uma discussão sobre a permissão de determinados alimentos nos hospitais durante a Páscoa Judaica. “Não foi nenhuma questão nuclear do Irã ou relação com os Estados Unidos ou entrega da Cisjordânia para os palestinos — uma questão alimentar, trivial, diária derrubou o governo”, destacou.

Fragilidade estrutural do sistema parlamentar israelense

Para Feldberg, um governo verdadeiramente estável em Israel precisaria de ao menos 65 ou 66 cadeiras. Ele também ressaltou que o presidente israelense não dispõe de instrumentos de coerção para influenciar o processo de formação de coalizão.

“O presidente tem que decidir para quem ele dá o mandato para formar a coalizão, mas ele não consegue trazer as partes para uma negociação e obrigá-los a formar um governo de coalizão”, explicou.

O especialista também mencionou a possibilidade de manobras legislativas após a posse dos novos membros do parlamento.

Segundo ele, a oposição, que inclui partidos árabes, poderia assumir o controle da presidência do parlamento — responsável por definir as pautas — e eventualmente legislar para impedir que candidatos sob investigação ou julgamento participem de processos eleitorais. “Isso eliminaria Netanyahu do processo eleitoral se houvesse novas eleições”, afirmou Feldberg.

O papel de Lieberman no cenário político israelense

Feldberg também traçou um perfil do ex-ministro da Defesa de Israel e líder do partido Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, descrito como uma “raposa política” com longa trajetória no parlamento e no governo israelense.

De acordo com o especialista, Lieberman surgiu como representante dos imigrantes que chegaram da União Soviética após seu desmembramento, no início da década de 1990, consolidando-se posteriormente como uma figura da direita israelense — sem, contudo, ser associado à extrema direita.

“Ele não tem nada a ver com Ben-Gvir ou com Smotrich, mas tem posições muito firmes na direita israelense”, disse.

A plataforma eleitoral de Lieberman, segundo Feldberg, sempre foi historicamente radical contra a população árabe em Israel. Sua proposta mais controversa prevê a troca de territórios com os palestinos, mantendo os assentamentos na Cisjordânia, mas entregando a um eventual Estado palestino áreas israelenses habitadas predominantemente por árabes.

“Diminui a população árabe em Israel, entregando território onde vive predominantemente a população árabe”, explicou. A proposta nunca foi aprovada nem cogitada seriamente. Vale lembrar que a população árabe israelense representa cerca de 20% do total — o equivalente, em termos proporcionais, a mais de 40 milhões de eleitores no Brasil.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
  • Fonte: CNN Brasil
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@nortaonoticias.com.br

Compartilhar: