Agroindústria recua 2,7% em agosto e acumula queda de 1% em 2026
- 28/10/2026 11:11
- Redação
A produção agroindustrial brasileira caiu 2,7% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, e registrou a quarta retração interanual consecutiva, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, da FGV (Fundação Getulio Vargas). Com o resultado, o setor acumulou queda de 1% nos oito primeiros meses de 2026.
O desempenho foi influenciado principalmente pelo segmento de produtos não alimentícios, com uma produção que recuou 5,4% em agosto, na comparação anual. Já o segmento de produtos alimentícios e bebidas teve queda de 0,3% no período.
Entre os produtos não alimentícios, a produção de insumos agropecuários caiu 18,3% em agosto, a maior retração para o mês desde o início da série histórica do indicador, em 2023. Segundo o FGV Agro, o resultado foi determinado pela menor produção de intermediários para fertilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos agrícolas, tratores e máquinas agrícolas, ainda como consequência do conflito no Oriente Médio.
A produção de produtos têxteis também recuou, 7,6% na comparação anual. O setor de fumo teve queda de 19,6%, enquanto o segmento de produtos florestais avançou 1,1%.
Os biocombustíveis registraram alta de 6,4%, impulsionados pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar, pela maior destinação da matéria-prima à produção de etanol e pelo avanço do etanol de milho.
No acumulado de janeiro a agosto, o segmento de produtos não alimentícios apresentou retração de 2,9%. Apenas biocombustíveis, com expansão de 14,1%, e fumo, com alta de 2%, registraram crescimento no período entre os setores que compõem esse grupo.
No segmento de produtos alimentícios e bebidas, a produção de alimentos caiu 1% em agosto em relação ao mesmo mês de 2025. Os alimentos de origem vegetal tiveram retração de 1,4%, enquanto os de origem animal recuaram 0,8%.
Entre os produtos de origem vegetal, houve queda na produção de conservas e sucos, produtos da moagem de trigo e açúcar refinado. A expansão da produção de café, óleos e gorduras e arroz ajudou a limitar a retração.
Nos alimentos de origem animal, a queda foi influenciada pela menor produção de carne bovina e pescados, parcialmente compensada pelo crescimento de carne suína, aves e laticínios.
Segundo o relatório, a retração da produção de carne bovina está relacionada, sobretudo, ao esgotamento da cota chinesa para a carne brasileira. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados pelo estudo mostram que o volume embarcado para a China caiu 89,9% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025.
Na direção oposta, a produção de bebidas cresceu 4,4% em agosto. O avanço foi de 2,3% nas bebidas alcoólicas e de 6,4% nas não alcoólicas.
No acumulado do ano, o segmento de produtos alimentícios e bebidas registrou expansão de 0,5%, insuficiente para compensar a retração dos produtos não alimentícios. A produção de alimentos avançou 0,2% entre janeiro e agosto, enquanto a de bebidas cresceu 2,3%.
O relatório do FGV Agro aponta perda gradual de dinamismo da agroindústria ao longo de 2026. Até abril, a produção acumulava expansão de 0,8%. Nos meses seguintes, o indicador passou a registrar variações negativas, encerrando agosto com retração de 1% no acumulado do ano.
Os pesquisadores citam fatores econômicos, como os juros elevados, o desaquecimento do mercado interno e a limitação da renda disponível das famílias, além do cenário eleitoral, como elementos relevantes para a trajetória da atividade.
Segundo o estudo, a reversão ou o aprofundamento da desaceleração depende da reação dos agentes econômicos ao resultado das urnas. O relatório afirma que os efeitos desse cenário talvez sejam mais claros na próxima divulgação do indicador, prevista para meados de novembro.