CNM: Super El Niño já afetou 6,9 milhões de pessoas no Brasil desde julho
- 28/10/2026 10:08
- Redação
O El Niño impactou a vida de 6,9 milhões de brasileiros somente entre 1º de julho e 30 de setembro deste ano. Ao todo, 1.035 municípios de todo o Brasil foram afetados, e os prejuízos chegam a R$ 12,6 bilhões e 25 mortes, segundo um estudo da CNM (Confederação Nacional de Municípios).
Fenômenos climáticos como ondas de calor, secas, vendavais e inundações no período causaram desde a falta de energia ou abastecimento de água até a perda de bens e casas inteiras entre a população.
Segundo o relatório, 87,7 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, com 808 residências totalmente destruídas e quase 50 mil danificadas por esses eventos extremos. Além disso, nos 1.035 municípios que decretaram calamidade pública ou estado de emergência, 25 mortes foram registradas.
Em relação a infraestruturas públicas e obras, o prejuízo financeiro foi de R$ 3,6 bilhões, com destaque para estruturas de abastecimento de água potável concentrando metade do prejuízo total, deixando milhões de pessoas sem recursos básicos pelo país.
Além disso, o levantamento destaca que o setor mais afetado economicamente pelo super El Niño deste ano foi a agricultura, a mais suscetível às mudanças no regime de chuvas e temperaturas mais altas. O setor registrou perda de R$ 5,7 bilhões, devido a casos como diminuição na safra de produtos, demora para o escoamento da produção e perdas de colheitas inteiras.
No entanto, Marijane Lisboa, membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e doutora em Ciências Sociais, destaca que esses impactos vão muito além da questão econômica e afetam de forma muito diferente a população.
“A transformação lenta do nosso semiárido em árido e os incêndios que assolam a Floresta Amazônica nesse instante não podem ser traduzidas em reais imediatamente. Elas terão impactos duradouros na vida, na saúde e na alimentação, principalmente dos povos indígenas e dos pequenos agricultores”, afirma.
Análise: Mudanças climáticas avançam e impactam diretamente a sociedade | CNN NOVO DIA
A região que teve os maiores impactos foi o Nordeste, somando R$ 5,7 milhões em perdas devido principalmente pelo agravamento da seca e período de estiagem. No total, 319 municípios dos nove estados da região decretaram Situação de Emergência, afetando cerca de 1,4 milhão de pessoas, e o agronegócio na região teve R$ 3,4 bilhões em prejuízos.
Em seguida aparece o Sudeste, com R$ 4 bilhões. A região sofreu com os ventos, deslizamentos de terra, granizo e inundações, que provocaram danos em 3.054 moradias, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia. Minas Gerais foi o estado mais afetado na região, com quase 1 milhão de pessoas impactadas.
O Sul sofreu com as fortes chuvas e tornados, registrando R$ 1,8 bilhões em perdas e cerca de 2,2 milhões de pessoas afetadas no período.
Já na região Norte a falta de chuvas prejudicou a navegação hídrica e afetou o regime de chuvas em todo o país, enquanto no Centro-Oeste os incêndios florestais causados pelo clima seco impactaram a produção e o dia a dia em R$ 175 milhões.
Chuvas e tempestades em Minas Gerais afetaram o estado • ItatiaiaLisboa frisa que as pessoas mais afetadas são justamente aqueles que menos contribuem para as mudanças climáticas. “Quem paga o maior pato das emissões de gases do efeito estufa produzidos pela exploração e consumo de petróleo, carvão e gás natural por grandes empresas e países são os mais desfavorecidos: povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares e gente pobre das periferias de nossas grandes e ricas cidades”, afirma.
A Confederação destacou que esses eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes, e que medidas de prevenção e resiliência climática precisam aumentar.
O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano pacífico equatorial. Ele acontece de forma cíclica, em um intervalo de 2 a 7 anos, e de maneira intercalada com períodos neutros e sob o efeito do La Niña, o resfriamento acima da média das águas.
A OMM (Organização Meteorológica Mundial) alertou no último dia 21 que o El Niño atual deve atingir o seu pico ainda este ano, com expectativa de ser um fenômeno sem precedentes e um dos mais fortes da história.
Carros ficaram empilhados após Túnel do Vale do Anhangabaú transbordar na tarde de quarta (14) com as fortes chuvas. • CNN BrasilAinda de acordo com a agência da ONU (Organização das Nações Unidas), o El Niño deve durar até pelo menos fevereiro do ano que vem, mas os seus efeitos vão ser sentidos por muito mais tempo e vão se espalhar cada vez mais.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo