PMs integrantes do “novo Escritório do Crime” são condenados no RJ
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PMs integrantes do “novo Escritório do Crime” são condenados no RJ

  • 28/10/2026 06:37
  • Redação

A Justiça do Rio de Janeiro condenou três policiais militares apontados como integrantes do “novo Escritório do Crime”. O grupo é acusado de formar uma organização criminosa que praticava crimes violentos, incluindo sequestros e homicídios por encomenda, além da venda clandestina de armas e munições. 

Entre os PMs estão o sargento Bruno Marques da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”, o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, o “Tenente Alessander”, e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas, conhecido como “Briggs”.

O primeiro foi condenado a 63 anos de prisão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 168 dias-multa, por integrar a organização criminosa. Os outros dois sofreram condenações por crimes relacionados ao comércio ilegal de armas.

Bruno e Alessander receberam penas de 27 anos de prisão em regime inicial fechado, além do pagamento de 44 dias-multa. Além disso, a sentença também manteve a prisão preventiva de ambos.

Além das penas de prisão, a Justiça determinou a exclusão de “Bruno Estilo” e “Briggs” dos quadros da Polícia Militar após o trânsito em julgado.

Em relação ao capitão Alessander, determinou o encaminhamento do caso ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, também após o trânsito em julgado, para análise de eventual perda do posto e da patente.

A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia Militar do Rio de Janeiro e tenta localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para manifestações.

A estrutura do “novo Escritório do Crime”

As investigações identificaram conversas, áudios, imagens e registros de negociações que envolviam armas de fogo de grosso calibre, carregadores e munições. Mensagens revelaram uma estrutura criminosa com divisão de tarefas e vínculos com integrantes ligados à milícia.

A denúncia aponta Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como “Ganso”, “Batata” ou “Soares”, como responsável por encomendar homicídios, enquanto outros integrantes seriam encarregados do planejamento, do monitoramento das vítimas e da execução dos crimes.

Entre os assassinatos descritos na denúncia estão os de Fábio Romualdo Mendes, morto em Vargem Pequena, em setembro de 2021, e de Neri Peres Júnior, assassinado em Realengo, no mês seguinte.

De acordo com o Ministério Público, os dois crimes foram cometidos em plena luz do dia, com vários disparos de arma de fogo, e teriam sido realizados após ações de monitoramento e tentativas de emboscada.

Segundo o MP, Neri foi morto a tiros de fuzil e pistola em 4 de outubro de 2021, por volta das 12h50, em uma área de grande circulação de pessoas, em Realengo. A denúncia relata que o grupo monitorou a vítima e realizou diligências para assassiná-la em pelo menos quatro ocasiões, frustradas por diferentes motivos.

“Bruno Estilo”, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Anderson Oliveira Reis Viana, conhecido como “Papa” ou “2P”, são apontados como participantes da execução.

André Costa Bastos, o “Boto”, teria auxiliado os comparsas e fornecido armamentos. Mesmo preso, ele seria responsável por coordenar a logística de armazenamento e disponibilização de armas e munições.

Já Fábio Romualdo Mendes foi executado em 29 de setembro de 2021, por volta das 9h, na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. A vítima dirigia quando foi surpreendida pelos criminosos e atingida por diversos disparos, sem possibilidade de defesa.

Segundo a denúncia, Thiago também teria encomendado o homicídio, mobilizando Bruno, Anderson e Rodrigo para planejar o crime, monitorar a vítima e executá-la.

O planejamento teria começado cerca de um mês antes, com diferentes tentativas de emboscada, incluindo uma em uma barbearia, frustrada porque Fábio não compareceu ao local.

Os crimes violentos e as armas

A denúncia também detalha a participação de policiais militares em negociações clandestinas de armamentos. “Bruno Estilo” é apontado tanto como participante do planejamento e da execução de homicídios quanto como negociador de armas, carregadores e munições.

Já Alessander e Diogo são acusados de fornecer material bélico à organização, inclusive armamentos que teriam sido desviados de apreensões policiais. As conversas analisadas pelos investigadores indicariam negociações realizadas em diferentes ocasiões entre os policiais e integrantes do grupo criminoso.

Em relação a Alessander, o Ministério Público sustenta que ele teria mantido vínculo estável com a organização, ao fornecer armas e munições e receber pagamentos periódicos de R$ 500.

Há ainda registro de negociações atribuídas a Diogo em outubro e novembro de 2021. As provas reunidas incluem registros digitais, mensagens e outros conteúdos telemáticos que demonstrariam a articulação entre os envolvidos.

  • Fonte: CNN Brasil
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