Indígenas denunciam ameaças após eleições em Mato Grosso do Sul
- 27/10/2026 21:02
- Redação
O povo indígena Terena, localizado em Mato Grosso do Sul, denunciou nesta terça-feira (27) ameaças, intimidações e episódios de racismo dentro das próprias aldeias durante o segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), os indígenas foram impedidos de votar em escolas localizadas nas aldeias. Muitos ainda teriam sido chamados de “bugres”, termo historicamente pejorativo e racista usado no Brasil para designar os povos originários.
Um dos áudios pulicados nas denúncias mostra um homem afirmando que “os povos não deveriam votar”.
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“Senão nós não vamos começar a botar isso, trabalhar, mandar fechar a porteira para não sair mais para a cidade, porque índio é só no mato. E cortar luz, cortar água, porque índio também não pode ter nada disso, é só lamparina. E água no poço. E eu acho que o índio também não podia voltar”, diz o homem em um dos áudios da denúncia.
A APIB destacou que repudia essas violações e exige que as denúncias sejam investigadas, com a responsabilização dos envolvidos e a garantia da segurança das comunidades. “O direito ao voto é de todos! Nenhum povo indígena pode ser ameaçado, discriminado ou silenciado por exercer seus direitos políticos”, afirmou o órgão.
A CNN Brasil entrou em contato com o Governo de Mato Grosso do Sul, com a Polícia Federal e com o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, mas até o momento não obteve resposta.
Os Terena são um povo indígena falante de língua Aruak. Atualmente, uma das maiores populações indígenas do país, habitam terras indígenas em dois estados brasileiros, o Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR), por meio de nota, apontaram que estão atuando em conjunto para investigar as denúncias de violência relacionadas aos povos indígenas, comunidades quilombolas e povos de terreiro, após o segundo turno das eleições.
“É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas. Vivemos em um país democrático em que as diferentes visões de mundo devem ser respeitadas e coexistir de forma pacífica e livre”, afirmou a nota.