Do diabo-negro ao peixe-ogro: o que descobrimos sobre os formatos mais bizarros do fundo do mar
- 27/10/2026 07:06
- Redação
O fundo do oceano abriga peixes com aparências bastante diferentes daqueles encontrados perto da superfície. Entre as características que chamam a atenção estão os corpos compridos e estreitos, semelhantes aos das enguias, comuns em diversas espécies que vivem em grandes profundidades. Mas por que esse formato aparece com tanta frequência?
A característica pode estar relacionada às condições do oceano profundo, onde a falta de luz, as baixas temperaturas e a dificuldade para encontrar alimento influenciam o modo de vida e a evolução das espécies.
Apesar disso, nem todos os peixes ficam mais alongados conforme aumenta a profundidade. Pesquisas mostram que o local onde vivem, seja próximo ao fundo ou em águas abertas, também ajuda a explicar as diferenças.
Peixes com corpos compridos, como as enguias, conseguem nadar por meio de movimentos ondulatórios. Dependendo da espécie e das condições do ambiente, essa forma de locomoção pode facilitar deslocamentos e manobras em espaços restritos.
A busca por alimento também é importante. Nas profundezas do oceano, onde os recursos podem ser limitados, os animais apresentam diferentes estratégias para encontrar presas e evitar gastos desnecessários de energia.
Porém, o corpo alongado não garante, por si só, uma natação mais econômica. Suas possíveis vantagens dependem da espécie, do comportamento e do ambiente em que o peixe vive.
Uma pesquisa publicada em outubro de 2025 na revista científica Evolution analisou 2.882 espécies de peixes marinhos para compreender como a profundidade e o habitat estão relacionados à diversidade de formatos corporais.
Os pesquisadores identificaram que peixes que vivem próximos ao fundo do oceano profundo costumam apresentar corpos alongados e afilados, enquanto aqueles que nadam em águas abertas possuem formatos mais variados, desde espécies arredondadas até outras extremamente compridas.
Segundo Elizabeth Santos, pesquisadora da Universidade Estadual de Ohio e principal autora do estudo, a evolução do formato corporal ocorre de maneiras diferentes conforme o ambiente em que os animais vivem. Os resultados indicam que a profundidade influencia essas características, mas não da mesma forma em todas as espécies.
Embora o corpo alongado seja comum entre peixes que vivem próximos ao fundo do oceano, outras espécies desenvolveram características bastante diferentes para sobreviver nesses ambientes.
O diabo-negro-do-mar (Melanocetus johnsonii), por exemplo, possui corpo arredondado e uma isca luminosa que ajuda a atrair presas na escuridão. Já as fêmeas do peixe-dragão-negro (Idiacanthus atlanticus) apresentam corpo alongado e estreito, além de estruturas capazes de produzir luz.
Outras adaptações aparecem no peixe-ogro (Anoplogaster cornuta), conhecido pelos dentes grandes em relação ao corpo, e nos peixes-caracol, que possuem corpos macios e podem habitar regiões extremamente profundas. Essas diferenças mostram que a sobrevivência no fundo do mar não depende de um único formato, mas das características e estratégias de cada espécie.