Eleições em Israel: Herzog vota em pleito decisivo após período de crise
- 27/10/2026 04:58
- Redação
O presidente israelense Isaac Herzog chegou a uma seção eleitoral em Jerusalém na manhã desta terça-feira (27) para votar nas eleições parlamentares.
As pesquisas de opinião mostram uma disputa acirrada entre o partido Likud, de Netanyahu, e seus aliados de direita, e uma aliança rival liderada por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e linha-dura na área de segurança, com apoiadores na direita e no centro.
A eleição ocorre após um dos períodos mais turbulentos de Israel desde a sua criação em 1948, marcado pelo trauma dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, pela subsequente ofensiva militar de Israel em Gaza e por profundas divisões internas sobre as políticas do governo de direita de Netanyahu.
“Michal e eu estamos muito orgulhosos de estar aqui hoje, enquanto milhões de israelenses vão às urnas votar e tomar seus destinos em suas próprias mãos em uma democracia verdadeira, orgulhosa e digna”, disse Herzog.
Na sequência, o presidente exaltou a democracia no país. “Esta é a história de Israel, um país incrível e uma nação incrível indo votar e decidindo qual é o nosso futuro e para onde estamos caminhando.”
Como mostrou a CNN, os israelenses vão às urnas nesta terça-feira em uma eleição decisiva para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Essa é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura consegue completar o tempo integral do mandato, sem uma dissolução antecipada.
As seções eleitorais abriram às 7h no horário local (2h no horário de Brasília), e os eleitores compareceram de forma constante ao longo da manhã. A votação está prevista para terminar às 22h (17h em Brasília).
O voto em Israel é para maiores de 18 anos e não é obrigatório. Segundo o Comitê Central Eleitoral do país, órgão governamental encarregado da organização e apuração das eleições, 7,3 milhões de eleitores estão registrados e aptos a votar nas cerca de 12 mil seções eleitorais.
Israel funciona com um sistema parlamentarista e, por isso, tem um chefe de Estado e um chefe de governo. A função de chefe de Estado, marcada principalmente por obrigações cerimoniais e formais, é exercida pelo presidente, cargo atualmente ocupado por Isaac Herzog. Já a função de chefe de governo fica a cargo do primeiro-ministro, atualmente Benjamin Netanyahu.
No sistema parlamentarista, a direção dos assuntos de interesse público é atribuída a um gabinete ministerial formado no parlamento e liderado pelo premiê. O parlamento israelense é chamado de Knesset e reúne 120 membros, eleitos a cada quatro anos, em uma única câmara.
A população vota para eleger os integrantes do Knesset, que, por sua vez, escolhem quem será o primeiro-ministro. Para conquistar um assento no Parlamento, os partidos precisam superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos.
Nenhum partido jamais conquistou os 61 assentos necessários para ter maioria absoluta no Knesset e governar sozinho. Por isso, os governos costumam ser formados por coalizões, frequentemente instáveis.
O voto é facultativo e é um direito garantido a todos os cidadãos israelenses maiores de 18 anos. A votação é feita em cédulas de papel.
O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, é o principal rival de Netanyahu nas eleições.
Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.
Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.
Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.
O ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.
Com uma postura ainda mais linha-dura que a de seu antigo chefe, Lieberman deixou o governo em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando demais com combatentes palestinos em Gaza. Desde então, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos de Netanyahu.
*Com informações de Andreea Popescu, da Reuters