Cerca de 90% das brasileiras não conhecem leis voltadas ao câncer de mama
- 27/10/2026 02:37
- Redação
Nove em cada dez brasileiras, cerca de 90% delas, não conhecem a ‘Lei dos 30 Dias’ que garante a realização de exames como a mamografia em até um mês após a suspeita de câncer de mama. Outras 92% desconhecem a ‘Lei dos 60 Dias’ que assegura o início do tratamento em até dois meses a partir do diagnóstico.
Os dados são do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas 2026, divulgado neste mês do Outubro Rosa, pelo Instituto Natura e pela Avon. O levantamento foi realizado com 2.094 mulheres de 18 anos ou mais e identificou problemas de conscientização relacionadas aos sintomas da doença, tratamento e acesso ao SUS (Sistema Único de Saúde).
A análise apontou que 44% das entrevistadas estão nos níveis baixo ou muito baixos de informação sobre a saúde das mamas. Além disso, 94% delas até reconhecem que o câncer de mama tem cura quando detectado precocemente, mas mais da metade diz não se sentir capacitada para ajudar alguém próximo que receba o diagnóstico.
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A pesquisa demonstra que mulheres usuárias do sistema privado, de maior nível socioeconômico e mais velhas, têm índices mais altos de conscientização que as usuárias do SUS, mais jovens e de menor renda.
Segundo Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura, a falta de informação pode contribuir para que mais mulheres descubram a doença em estágio avançado, quando há menos chance de cura e o tratamento é mais complexo.
Quando reunimos esses dados, tanto os públicos quanto o conhecimento das mulheres, conseguimos entender por que o câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil. Os direitos garantidos pelas políticas públicas, ou por lei só podem ser buscados se as mulheres os conhecerem
Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura.
O índice aponta ainda que 76% não sabiam que é possível fazer mamografia no SUS em qualquer idade, quando há sintomas ou indicação médica. Entre as mulheres com mais de 40 anos que nunca fizeram o exame, a principal barreira é o médico nunca ter solicitado (23%), seguida por medo (13%) e ausência de sintomas (12%).
Além disso, uma em cada cinco mulheres que já fizeram mamografia não mantém a frequência recomendada. Entre as que vão ao ginecologista uma ou duas vezes por ano, 66% fazem o exame. Já entre as que nunca frequentam consultas de rotina, totalizam 21%.
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Segundo o Panorama do Câncer de Mama, ferramenta de dados criada pelo Instituto Natura e pela Avon em parceria com o Observatório da Oncologia da Abrale e o Instituto Protea, 51% das mulheres atendidas no SUS (Sistema Único de Saúde) em 2025 estavam nos estágios 3 ou 4 da doença, em uma escala que vai de 0 a 4.
Olhando ainda para este tema, o índice da Natura identificou confusão das entrevistadas entre “redução de riscos” e “diagnóstico precoce”:
Segundo Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e Monitoramento de dados do Instituto Natural, o objetivo das pesquisas são apoiar políticas públicas e campanhas de conscientização.
O Índice foi criado justamente para identificar quais são os gargalos de comunicação e adesão da população em relação ao cuidado com a saúde das mamas e orientar quais são as mensagens prioritárias ao longo de todo o ano.
Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e Monitoramento de Dados do Instituto Natura.
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