Análise: Silêncio de Milei pode ser prenúncio de mais ataques
- 26/10/2026 14:05
- Redação
Líderes de diversos países da América do Sul reagiram à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao passo que figuras como Donald Trump, Javier Milei e Benjamin Netanyahu permaneceram em silêncio. O analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, avalia, ao Live CNN, o impacto do resultado no cenário político regional.
Entre as manifestações, Abelardo De La Espriella, presidente da Colômbia, reconheceu a vitória de Lula mesmo declarando ter “profundas diferenças políticas” com o presidente reeleito, afirmando que “a vontade do povo tem que ser respeitada” e que Brasil e Colômbia “precisam um do outro”.
Já a presidente do México, Claudia Sheinbaum, foi às redes sociais para parabenizar Lula com a mensagem: “Viva a democracia, o povo do Brasil venceu, parabéns, presidente Lula.”
O presidente chileno, José Antonio Kast, político de direita, afirmou ter ligado para Lula para cumprimentá-lo pelo resultado, destacando que Chile e Brasil têm “um grande futuro pela frente em comum na integração econômica e no combate ao crime organizado”.
O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, também se manifestou: “Acabo de falar com o presidente eleito do Brasil, Lula, um amigo, parabenizei-o pela vitória e pela festa democrática que um processo eleitoral representa”.
Keiko Fujimori, presidente do Peru, parabenizou Lula pela reeleição, saudou o povo brasileiro pela jornada democrática e reafirmou o interesse em fortalecer a aliança estratégica com o Brasil, incluindo a integração, a cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Daniel Noboa, presidente do Equador, também esteve entre os que parabenizaram o Brasil.
Em contraste, o presidente americano, Donald Trump, o presidente argentino Javier Milei e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não emitiram qualquer manifestação sobre a reeleição de Lula. Segundo Américo Martins, o silêncio na diplomacia “diz muito”.
“As palavras têm muito peso na diplomacia, assim como o silêncio”, afirmou o analista. Américo destacou ainda que dois desses líderes declararam apoio aberto a Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha, e que Trump chegou a elogiar a vitória de Flávio no primeiro turno.
O analista acrescentou que o silêncio de Milei pode ser “um prenúncio de que mais ataques virão”, e que a tática do governo brasileiro tem sido “manter a institucionalidade na relação com a Argentina”, tentando isolar a questão pessoal entre Milei e Lula.
Américo Martins ressaltou que, apesar da onda direitista que resultou em sete vitórias de candidatos conservadores no continente nos últimos anos, as três principais economias da região — excluindo os Estados Unidos — são hoje administradas por governantes de centro-esquerda: Lula no Brasil, Claudia Sheinbaum no México e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, de tendência liberal. “Essa vitória do presidente Lula freia um pouco essa onda”, avaliou o analista.
Quanto à relação com os Estados Unidos, o correspondente apontou que os formuladores da política externa brasileira identificam esse como o “grande desafio internacional” do novo mandato.
O governo brasileiro acredita ser possível estreitar o relacionamento com Trump diretamente, oferecendo, por exemplo, acesso a minerais críticos brasileiros e mais comércio entre os dois países.
O analista também sinalizou que o Departamento de Estado, sob o comando de Marco Rubio, representa uma oposição interna relevante, e que provavelmente é o comportamento dessa pasta que está levando os Estados Unidos a evitar qualquer manifestação sobre o resultado eleitoral brasileiro.
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