Queda do preço do enxofre ainda não reduz pressão sobre fertilizantes
Agronegócios

Queda do preço do enxofre ainda não reduz pressão sobre fertilizantes

  • 26/10/2026 11:49
  • Redação

O preço do enxofre no mercado brasileiro registrou a sexta semana consecutiva de queda, com negociações indicando valores abaixo de US$ 900 por tonelada. Desde o fim de junho até o encerramento da semana passada, a redução acumulada foi de aproximadamente 25%. Apesar do recuo, o movimento ainda não foi suficiente para provocar mudanças significativas no mercado de fertilizantes fosfatados.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a diminuição das cotações do enxofre também aparece em referências internacionais, como China, Estados Unidos e Oriente Médio. No Brasil, os preços voltaram a apresentar indicações abaixo de US$ 900 por tonelada, patamar que não era observado desde a primeira quinzena de abril, quando as cotações ainda estavam em alta diante da percepção de escassez da matéria-prima, associada à guerra no Oriente Médio e à redução da oferta em alguns países.

O enxofre é utilizado na produção de fertilizantes fosfatados. Por isso, a queda de seu preço tende a reduzir os custos industriais e pode abrir espaço para negociações com valores menores ou descontos aos compradores. No entanto, os efeitos dessa redução ainda são limitados diante das condições atuais de oferta.

De acordo com Pernías, os cortes na produção de fertilizantes fosfatados continuam em diversos países, inclusive no Brasil. Para que a indústria considere ampliar a produção e reverter as reduções e interrupções registradas ao longo de 2026, novas quedas no preço do enxofre podem ser necessárias.

Redução gradual

Nesse contexto, a expectativa de recuos expressivos nos preços dos fertilizantes fosfatados no curto prazo deve ser moderada. A avaliação é de que eventuais reduções tendem a ocorrer gradualmente, à medida que a diminuição dos custos de produção tenha efeitos sobre as decisões dos fabricantes e sobre as condições de oferta.

Com isso, as relações de troca entre commodities agrícolas e fertilizantes fosfatados podem continuar menos favoráveis aos produtores nas próximas semanas. Um dos indicadores acompanhados pelo mercado é a relação entre o preço do milho e o do MAP (fosfato monoamônico), fertilizante amplamente utilizado no Brasil.

Ao final da semana passada, considerando os preços do milho negociado na bolsa dos Estados Unidos e as cotações do MAP nos portos brasileiros, eram necessárias aproximadamente 75 sacas de milho para comprar uma tonelada do fertilizante. O volume representa um aumento de oito sacas em relação ao registrado no mesmo período do ano passado.

  • Fonte: CNN Brasil
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