“Estou aqui”: María Corina diz que chegou à Venezuela após meses no exílio
Internacional

“Estou aqui”: María Corina diz que chegou à Venezuela após meses no exílio

  • 25/10/2026 11:56
  • Redação

Após mais de dez meses no exílio, a líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, retornou ao país e encontrou um cenário político transformado pelos Estados Unidos, seu aliado, sem sua participação.

“Estou aqui. Com vocês”, anunciou Machado no X na manhã deste domingo (25), pouco antes de outros integrantes da oposição confirmarem sua chegada, sem fornecer detalhes.

Ela deixou a Venezuela em dezembro e foi para a Noruega para receber o Prêmio Nobel da Paz, concedido a ela por promover os direitos democráticos em seu país.

Um mês depois de sua partida, os Estados Unidos derrubaram seu rival, o presidente Nicolás Maduro, e começaram a trabalhar com o governo interino venezuelano para conduzir o país a uma transição democrática e à reconciliação política. O processo envolveu várias figuras importantes da oposição, mas excluiu Machado e seu aliado, o ex-candidato à Presidência Edmundo González Urrutia.

Machado havia prometido repetidamente retornar ao país e insinuado que voltaria a disputar a Presidência caso uma eleição fosse realizada.

No fim de agosto, um integrante importante de seu círculo próximo, Omar González, retornou à Venezuela após quase três anos no exílio. Na ocasião, ele descreveu seu retorno como um “prelúdio” à chegada da própria Machado.

Segundo seus assessores, Machado tentou voltar à Venezuela sete vezes nos últimos meses, sem sucesso.

A primeira tentativa ocorreu no fim de junho, quando ela pretendia ajudar nos esforços de reconstrução após dois terremotos de grande intensidade devastarem o país. Machado afirmou, porém, que o governo impediu seu retorno ao fechar o espaço aéreo.

Ela tentou novamente no fim de setembro, enquanto a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, estava em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas. Na ocasião, Machado teve a entrada no país negada três vezes em um único dia.

Durante os mais de dez meses fora da Venezuela, Machado viajou pelo mundo em busca de apoio político de seus aliados, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem presenteou com seu Prêmio Nobel da Paz.

Embora o governo Trump tenha demonstrado apoio a Machado no passado, a líder da oposição foi amplamente deixada de lado no processo de transição política em andamento na Venezuela.

Após destituir Maduro, em janeiro, Trump chamou Machado de “uma mulher muito agradável”, mas afirmou que ela “não tem o apoio nem o respeito dentro do país” necessários para liderá-lo.

Em vez disso, os Estados Unidos passaram a trabalhar com Delcy Rodríguez, sucessora de Maduro, para implementar reformas políticas e econômicas no país. Rodríguez atendeu a praticamente todas as exigências do governo Trump, incluindo a libertação de centenas de presos políticos e a adoção de medidas para facilitar investimentos de empresas americanas na Venezuela.

No fim de agosto, Trump anunciou que os Estados Unidos haviam chegado a um acordo para assumir o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela. A medida foi considerada por alguns como benéfica tanto para a indústria petrolífera americana quanto para a economia venezuelana.

Em uma declaração em vídeo, Machado questionou por que o acordo petrolífero anunciado por Trump estava sendo assinado pelo governo venezuelano, que ela classificou como um “regime ilegítimo”.

O governo venezuelano permaneceu no poder após as eleições de 2024, quando autoridades eleitorais controladas pelo Estado declararam Maduro vencedor da última disputa presidencial, apesar de especialistas terem concluído que esse resultado era estatisticamente improvável.

Durante a Assembleia Geral da ONU, Rodríguez prometeu que a Venezuela realizaria novas eleições e faria a transição para uma democracia plena. Esse, segundo os Estados Unidos, é o principal objetivo do processo. O governo interino, porém, ainda não anunciou uma data para a votação.

Trump afirmou repetidamente que o país ainda não está pronto para realizar eleições, mas insistiu que houve avanços significativos.

 

  • Fonte: CNN Brasil
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