Abstenção joga contra Lula no 2º turno, avalia especialista
- 24/10/2026 19:13
- Redação
Ao CNN Eleições, Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, avaliou o cenário eleitoral às vésperas do segundo turno e concluiu que a taxa de abstenção representa um fator desfavorável para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo ele, embora Lula tenha registrado crescimento nas pesquisas nas semanas seguintes ao primeiro turno, esse avanço pode não ter sido suficiente para garantir a virada.
Tokarski reconheceu que todas as pesquisas são unânimes em apontar uma tendência de crescimento de Lula nas três semanas após o primeiro turno. No entanto, ele ressaltou que, caso a votação tivesse ocorrido no dia da entrevista, o resultado provavelmente não seria favorável ao candidato.
“Lula segue atrás nos votos totais e quando se faz a conta do eleitor provável, o efeito da abstenção tende até a melhorar um pouco a vantagem que Flávio Bolsonaro tem hoje”, afirmou.
O especialista explicou que a abstenção joga contra Lula da mesma forma que ocorreu no primeiro turno. Isso porque o candidato concentra sua base eleitoral em segmentos com maior propensão a não comparecer às urnas.
“Ele é um candidato mais votado por eleitores de baixa renda, de baixa escolaridade, acima dos 70 anos, que são eleitores que tendem a ter um percentual maior de abstenção”, disse Tokarski.
Para ele, a capacidade do PT de mobilizar seu eleitorado seria determinante para o resultado final.
Tokarski também destacou que, nas entrevistas realizadas pela Nexus no dia anterior à votação, pouco mais de 4% dos eleitores afirmaram que ainda poderiam mudar de voto.
Apesar disso, ele avaliou que tanto o tempo quanto a margem disponíveis para mudanças eram estreitos.
“O fôlego na reta final talvez possa não ter sido suficiente”, ponderou, ressaltando que a declaração foi feita com cerca de 24 horas de antecedência ao fechamento das urnas.
Ao ser questionado sobre o comportamento das campanhas no segundo turno, Tokarski observou que ambos os candidatos alteraram suas estratégias após o primeiro turno.
Segundo ele, Lula havia conduzido uma campanha mais institucional na primeira fase, apostando na liderança que ostentava nas pesquisas.
“Fez uma campanha mais institucional ali, de presidente e assim por diante”, comentou.
O especialista também mencionou que o candidato lançou uma série de medidas antes do primeiro turno, prática comum em disputas eleitorais.
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