Tenistas sofrem com ataques de apostadores e ofensas racistas online
- 23/10/2026 16:23
- Redação
Mais de 85% dos tenistas masculinos que geraram engajamento nas redes sociais no último ano foram alvo de abusos online, e a ATP bloqueou cerca de 234 mil comentários para impedir que chegassem aos atletas ou aos torcedores, informou a entidade na quinta-feira (23).
A ATP baseou as conclusões na análise de mais de 3,7 milhões de comentários nos canais da entidade e dos jogadores nas redes sociais, feita pela iniciativa Safe Sport, que usa moderação com inteligência artificial e avaliação de ameaças por especialistas.
A entidade informou que foram identificados mais de 284 mil comentários abusivos, e mais de 82% deles foram removidos em tempo real. No primeiro ano, o programa identificou e ocultou mais de 162 mil comentários com abusos considerados “graves”.
“O bem-estar dos jogadores está no centro do trabalho de proteção da ATP”, disse Andrew Azzopardi, diretor de proteção da entidade.
“Impedir que mais de 234 mil comentários abusivos cheguem aos jogadores e aos torcedores demonstra o impacto concreto que o programa tem todos os dias. O abuso online não tem lugar no tênis.”
“Vamos continuar investindo na tecnologia, na expertise e nas parcerias que protegem os jogadores, e seguiremos trabalhando com as autoridades para responsabilizar os culpados.”
Tenistas, como muitos atletas, frequentemente precisam lidar com a fúria de agressores anônimos na internet, muitos deles apostadores. O francês Gael Monfils reagiu com humor a alguns deles após uma eliminação precoce em Stuttgart, no ano passado.
Monfils, de 40 anos, disse na ocasião que se surpreendia com o fato de ainda haver pessoas apostando dinheiro em sua vitória contra adversários muito mais jovens.
O abuso online não se limita a apostadores irritados. A norte-americana Coco Gauff disse, no início deste mês, ter recebido uma quantidade “insana” de ofensas racistas durante o China Open, o que levou a uma condenação do Escritório de Direitos Humanos da ONU.
A World Tennis, a WTA, o All England Club e a Associação de Tênis dos Estados Unidos (USTA) lançaram serviços de monitoramento que combinam inteligência artificial e dados de fontes abertas para ajudar a proteger os jogadores.
Roland Garros também disponibilizou aos jogadores um software com inteligência artificial para bloquear assédio e discurso de ódio online.