Diamante Energia faz primeiro teste com carvão híbrido em térmica de Pecém
- 23/10/2026 15:46
- Redação
A Diamante Energia testou uma mistura de carvão mineral e biocarvão produzido a partir de cascas de coco na usina termelétrica de Pecém, no Ceará. Realizado em 14 de outubro, o ensaio foi a primeira experiência industrial de um projeto que busca avaliar a viabilidade técnica da substituição parcial do combustível fóssil na geração de energia.
Foram utilizadas aproximadamente 150 toneladas de combustível: 148,5 toneladas de carvão mineral e 1,5 tonelada de biocarvão. A biomassa convertida em carvão representou 1% da mistura utilizada na caldeira da Unidade Geradora 1 (UG1), com capacidade de 360 megawatts (MW).
O teste levou à operação da usina uma tecnologia desenvolvida em laboratório desde 2024, em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece). A iniciativa integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
As análises laboratoriais indicaram que o biocarvão apresentou poder calorífico superior ao do carvão mineral utilizado na térmica e teor de enxofre mais de dez vezes menor. Os benefícios ambientais e a viabilidade econômica da alternativa, porém, ainda dependem de avaliações complementares.
A próxima etapa será analisar os dados coletados no ensaio industrial. Os pesquisadores vão avaliar o comportamento da mistura nos sistemas de moagem e alimentação da caldeira, a estabilidade da combustão, as características das cinzas e os possíveis impactos sobre as emissões atmosféricas. Os resultados também deverão indicar eventuais ajustes para a continuidade dos estudos.
O aproveitamento das cascas de coco busca dar uma destinação a um resíduo abundante na região. O Ceará está entre os maiores produtores de coco do país, mas parte das cascas que sobram após a extração da água é descartada inadequadamente ou fica acumulada nas áreas de produção, gerando custos e problemas ambientais.
Desde o início do projeto, foram processadas aproximadamente 13,2 mil cascas de coco, equivalentes a cerca de 20 toneladas de biomassa. Os processos de preparação e conversão produziram pellets, cerca de 1,5 tonelada de biocarvão e 2.380 litros de bio-óleo.
A pesquisa permitiu à Uece estruturar uma planta piloto de processamento de biomassa residual. Durante sua operação, foram necessários ajustes para controlar incrustações nas linhas, reduzir perdas térmicas e melhorar o desempenho dos equipamentos de peletização.
Já a preparação e a execução do teste na usina mobilizaram pesquisadores e equipes de operação, engenharia, manutenção, laboratório e segurança da Diamante.
Para a professora Mona Lisa Moura de Oliveira, coordenadora do projeto na Uece, a passagem do laboratório para uma instalação industrial permite verificar a aplicação prática da tecnologia desenvolvida a partir de um resíduo presente na região.
“Agora, em ambiente industrial, poderá ser avaliado de forma prática o desempenho do biocarvão. Os resultados verificados nesta etapa permitirão aos pesquisadores avançar mais na eficiência do biocarvão”, afirma.
A iniciativa é o primeiro PDI regulado pela Aneel na história da Uece. A parceria também contribuiu para a formação de pesquisadores e estudantes e para a produção de trabalhos científicos, incluindo um estudo publicado na revista ACS Omega, da American Chemical Society.