Entenda como funciona a nova vacina “personalizada” contra câncer de pele
- 23/10/2026 12:02
- Redação
Uma vacina terapêutica personalizada reduziu em 42% o risco de retorno do câncer de pele melanoma ou de morte, quando combinada ao medicamento Keytruda, em comparação com o uso isolado da imunoterapia.
O resultado é de um estudo clínico de fase 3 com 1.137 pacientes que tiveram tumores removidos cirurgicamente. Os dados detalhados foram divulgados pelas empresas farmacêuticas Merck e Moderna, responsáveis pelo desenvolvimento da vacina, na última quinta-feira (22).
A terapia, chamada “intismeran autogene”, também identificada como V940 ou mRNA-4157, utiliza RNA mensageiro para estimular o sistema imunológico a reconhecer características específicas do tumor de cada paciente.
Ela foi testada em combinação com o pembrolizumabe, princípio ativo do Keytruda, medicamento que atua no sistema imunológico para ajudar o organismo a combater o câncer.
O estudo de fase 3, chamado “INTerpath-001”, avaliou pacientes com melanoma cutâneo em estágios de IIB a IV após a remoção completa do tumor. Os participantes receberam a combinação da terapia experimental com o Keytruda ou apenas o medicamento.
Após acompanhamento mediano de 24,6 meses, os pesquisadores observaram que a combinação reduziu em 42% o risco relativo de recidiva ou morte, em comparação com o uso isolado do Keytruda.
O risco de metástase à distância ou morte também foi 38% menor no grupo que recebeu a terapia personalizada.
Aos dois anos, 82,2% dos pacientes tratados com a combinação estavam vivos e sem recorrência da doença, ante 70% entre aqueles que receberam apenas o Keytruda.
No indicador que considera a ausência de metástases à distância ou morte, os índices foram de 88,5% e 80,2%, respectivamente.
Os resultados indicam um benefício adicional da terapia experimental em relação à imunoterapia isolada. No entanto, a redução de 42% se refere ao risco relativo de recidiva ou morte, e não significa que 42% dos pacientes foram curados.
A intismeran autogene é uma terapia baseada em mRNA desenvolvida para identificar alterações específicas presentes no tumor de cada pessoa.
A proposta é estimular o sistema imunológico a reconhecer essas características e reagir contra as células cancerígenas.
Diferentemente das vacinas preventivas, que buscam evitar determinadas infecções ou doenças, essa abordagem é terapêutica: é destinada a pessoas que já tiveram o diagnóstico de câncer e passaram pela retirada cirúrgica do tumor.
O Keytruda, por sua vez, é uma imunoterapia que bloqueia a ação da proteína PD-1, mecanismo utilizado por alguns tumores para escapar das defesas do organismo.
Apesar dos resultados positivos em relação à recorrência e às metástases, os dados de sobrevida geral ainda não são conclusivos. O estudo continua em andamento para avaliar esse e outros desfechos clínicos.
A combinação também apresentou efeitos adversos relacionados ao tratamento em 95,8% dos pacientes, ante 90% no grupo que recebeu apenas o Keytruda.
Eventos adversos graves, classificados entre os graus 3 e 5, foram registrados em 14,2% dos participantes que receberam a combinação e em 13,4% dos que receberam somente a imunoterapia.
Brasileiros se sentem mais saudáveis do que são, aponta pesquisa | CNN PRIME TIME
As empresas informaram que não foram identificados novos sinais de segurança.
A terapia personalizada ainda é investigacional. As empresas informaram que estão dialogando com autoridades regulatórias sobre os próximos passos para uma possível solicitação de aprovação.
Portanto, os resultados do estudo não significam que a vacina já esteja autorizada para uso clínico.
No Brasil, ainda não há previsão de chegada do imunizante. A CNN Brasil entrou em contato com as farmacêuticas e com a Anvisa, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
*Sob supervisão de Manuella Dal Mas