Múmia de cão de 1.200 anos é encontrada após 15 anos de escavação e revela lado duplo do amor por pets no passado
- 23/10/2026 10:45
- Redação
Pesquisadores identificaram os restos mortais de um cachorro sem pelos do Peru com cerca de 1.200 anos de antiguidade no sítio arqueológico de Castelo de Huarmey, localizado a 305 quilômetros ao norte da capital Lima.
A descoberta, cujos resultados foram divulgados pelo periódico científico Journal of Anthropological Archaeology, representa o primeiro registro físico dessa variedade de animal no local.
O achado ganhou destaque por revelar detalhes inéditos sobre a dinâmica social e a convivência com os animais no Império Wari, civilização que ocupou a região costeira entre os anos 600 e 1.050 d.C., período que antecede em aproximadamente quatro séculos a consolidação do Império Inca.
Ao longo dos últimos 15 anos de escavações no complexo de 44,5 hectares, que funcionava como polo administrativo e funerário, os arqueólogos mapearam diversos achados históricos relevantes.
Entre os marcos da pesquisa no local estão a descoberta de uma sepultura intacta da elite com 58 mulheres de elevada posição social e 1.300 objetos, além de tumbas de artesãos enterrados com utensílios em ouro, prata e bronze.
No acervo canino, os especialistas recuperaram 341 elementos ósseos atribuídos a pelo menos 19 cães, destacando-se um exemplar masculino preservado em estado de mumificação completa, datados por radiocarbono confirmou a idade mínima de 1.200 anos, tornando-o o animal mais antigo registrado no complexo.
Análises osteológicas conduzidas pela pesquisadora Weronika Tomczyk, do Departamento de Antropologia da Faculdade de Dartmouth, revelaram que a relação com os caninos variava drasticamente conforme o contexto social da época.
Em alguns casos, o afeto era evidente, como no achado de um filhote com idade entre 6 e 8 semanas sepultado ao lado de um artesão de destaque, conhecido como Mestre Cesteiro, e de outro filhote encontrado junto a um homem sacrificado para atuar como guardião do jazigo.
Por outro lado, fragmentos ósseos também foram localizados em meio a depósitos de resíduos e apresentaram marcas de corte, indicando que o consumo de carne canina ocorria eventualmente, embora não constituísse uma prática alimentar diária.
A reviravolta dos estudos mostra que a consideração pelo chamado melhor amigo do homem não era uniforme naquela sociedade pré-colombiana. Segundo a equipe de especialistas, o mesmo animal estimado por uma família podia ser enxergado de forma totalmente diferente por outros grupos locais, revelando a complexidade das interações entre humanos e animais na antiguidade.