Malévola detalha prisão no Egito e denuncia transfobia: “Me senti um lixo”
- 22/10/2026 22:11
- Redação
A influenciadora digital Mariana Alves, 22, conhecida como Malévola, se pronunciou pela primeira vez após ser presa no Egito, na terça-feira (20). Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (22), ela relatou o que aconteceu durante o período em que ficou detida.
No conteúdo, Malévola conta que contratou um passeio guiado em Alexandria para fazer com um grupo de cinco brasileiros, além de turistas de outras nacionalidades. Em uma das primeiras paradas, ela e a amiga Bruna Mercatelli teriam sido assediadas por policiais.
Rebatendo críticas de que elas estariam usando roupas curtas, Malévola declara: “A roupa não dá permissão de me assediar. A roupa não dá permissão para ninguém passar a mão em mim.”
Em seguida, a influenciadora também rebate falas de que ela teria que ter se adaptado à cultura do país. “Gente, eu já viajei a Ásia e o Oriente Médio inteiro. Eu já estive no Egito em 2025”, afirma. “Eu já estive em vários países, então, eu entendo a cultura, eu entendo o que pode e o que não pode ser feito.”
Malévola afirma que ela e Bruna tiveram a permissão para gravar os vídeos que foram divulgados antes da prisão das duas. Nas imagens, as mulheres dançam e fazem gestos que teriam motivado a investigação contra elas. Segundo o Ministério do Interior egípcio, elas teriam feito comentários “insinuantes” e assediado pessoas em Alexandria.
“Os homens que estavam participando eram homens que queriam aparecer”, diz. “Eu não vi maldade alguma nisso. Eles estavam rindo, eles permitiram a gravação, estava todo mundo se divertindo. Aquilo ali era algo para se divertir”, explica.
Além disso, a influenciadora relata que sofreu abusos durante a abordagem policial. “Foram momentos de horror em Alexandria. Fui abusada desde o primeiro dia em que a gente chegou no Cairo”, afirma. “A minha amiga Larissa gravou stories chorando porque vários homens colocaram a mão na bunda dela. Ela ligou para a polícia, e a polícia não fez nada”, declara.
Malévola, que é transgênero, relatou que teria sofrido transfobia ao chegar à delegacia. “A guia chegou na gente e falou: ‘Eu preciso fazer uma pergunta honesta. Vocês são transexuais?’. E eu falei que não. Eu tive que falar isso pela minha segurança. Eu não sei o que poderia acontecer comigo.”
Ela conta, também, que os policiais tiraram os celulares dela e de Bruna e que, por isso, não puderam se comunicar com suas famílias. “Não deram água. Não deram comida, e nossos amigos lá fora, sem podermos falar com as nossas famílias.”
A influenciadora afirma que, já em outra delegacia, precisou tirar a roupa para realizar uma inspeção íntima. “Precisei ficar pelada para verem se eu era mulher mesmo. Eles viram que eu era mulher e pediram desculpa depois. Eu me senti um lixo”, declara.
Veja o vídeo na íntegra:
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A influenciadora digital trans Mariana Alves, 22, conhecida como Malévola, foi presa no Egito na terça-feira (20), junto com uma amiga, após uma investigação sobre vídeos publicados nas redes sociais. Segundo o Ministério do Interior egípcio, as duas brasileiras foram detidas em Alexandria.
De acordo com as autoridades locais, as imagens mostravam as mulheres dançando e fazendo gestos que teriam motivado a investigação. O órgão também afirmou que elas teriam feito comentários considerados insinuantes e assediado pessoas no local. Ainda segundo o ministério, durante o interrogatório, as duas admitiram ter gravado e publicado os vídeos com o objetivo de aumentar o número de visualizações.
O caso ocorre em um país que já foi alvo de críticas de especialistas da ONU (Organização das Nações Unidas) por ações de repressão contra mulheres e integrantes da comunidade LGBTQIA+.
Malévola Alves é o nome artístico de Mariana Alves Gadelha Pereira. A influenciadora trans ganhou popularidade nas redes sociais com publicações sobre lifestyle, moda e rotina, além de vídeos de humor e do formato “arrume-se comigo”.
Ela reúne cerca de 800 mil seguidores no Instagram. A popularidade dela cresceu, especialmente entre o público jovem, com conteúdos marcados pelo humor ácido e por comentários sobre situações do cotidiano.
*Publicado por Gabriela Maraccini, da CNN Brasil