Quem é “Angeliquinha”, líder do CV condenada a mais de 260 anos de prisão
Brasil

Quem é “Angeliquinha”, líder do CV condenada a mais de 260 anos de prisão

  • 22/10/2026 06:49
  • Redação

Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha” e condenada a mais de 260 anos de prisão, é apontada pelas autoridades brasileiras como líder do CV (Comando Vermelho) em Mato Grosso.

Após ser presa em setembro deste ano na Bolívia, Angeliquinha foi transferida nesta terça-feira (20) para a capital mato-grossense Cuiabá, onde deve cumprir pena no modelo de RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May.

Anteriormente, a mulher estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), para onde foi encaminhada após ser recapturada na Bolívia.

De acordo com a Polícia Civil de Mato Grosso, Angeliquinha era responsável por exercer um papel estratégico na gestão financeira, no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro da facção. As condenações da mulher são decorrentes de diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.

As investigações apontam que Angeliquinha exercia influência sobre atividades criminosas desenvolvidas na região de Alta Floresta. As ações seriam relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.

Fuga de cadeia e refúgio na Bolívia

No dia 17 de agosto de 2025, “Angeliquinha” protagonizou uma fuga da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, onde cumpria pena.

Após a fuga, a mulher partiu rumo à Bolívia. No país vizinho, foi recapturada em setembro deste ano, durante uma operação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso e a Polícia Boliviana.

Pena em regime severo

Após a prisão no exterior, Angeliquinha foi levada novamente para Cuiabá. Desta vez, por determinação do juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop, a detenta cumprirá pena no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).

Segundo as autoridades, a aplicação do RDD tem como objetivo barrar a atuação da faccionada no comando do grupo criminoso e evitar novas tentativas de fuga.

Sob o regime disciplinar mais severo, a presa fica custodiada em cela individual, com visitas restritas e direito a apenas duas horas diárias de banho de sol. Os detalhes do processo tramitam sob sigilo judicial.

Operação Showdown

Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown. O objetivo era desarticular o núcleo familiar ligado à Angeliquinha, que seria resposnável por dar suporte às atividades criminosas e auxiliar na lavagem de dinheiro obtido pelo grupo criminoso.

A operação cumpriu 31 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas.

Entre os alvos estavam o pai, a filha e o genro de Angélica. Eles eram apontados como integrantes do núcleo familiar que atuava no apoio à facção e na movimentação de recursos de origem ilícita.

As investigações identificaram a movimentação de mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses. Os valores foram considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

Segundo a apuração, empresas e outros negócios eram usados para dar aparência de legalidade aos recursos que vinham das atividades criminosas.

O grupo também é investigado por envolvimento com a exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta e Nova Bandeirantes, atividade que, conforme as investigações, estaria relacionada a outras práticas criminosas, como extorsões e tráfico de drogas.

  • Fonte: CNN Brasil
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