Solidão pode tirar até seis anos de vida saudável
- 21/10/2026 22:20
- Redação
Um estudo apontou que cerca de metade dos adultos americanos sofrem de solidão, enquanto quase o mesmo percentual está socialmente isolado. A análise “A solidão pode roubar quase 6 anos de boa saúde”, divulgada pela revista científica Science Daily, no início de outubro, aponta que a solidão e o isolamento social são generalizados nos Estados Unidos.
Além das consequências para a saúde, os problemas destacados pelo estudo continuam sendo negligenciados como questões urgentes de saúde pública.
Os pesquisadores da Escola de Medicina Pública e Tropical Celia Scott Weatherhead da Universidade de Tulane tentaram quantificar esse impacto. Eles descobriram que a solidão e o isolamento social estavam associados à perda de quase seis anos de vida livre de transtornos mentais como depressão e ansiedade.
A especialista destacou que a solidão pode afetar a saúde por dois caminhos que se reforçam: as alterações biológicas e as mudanças no comportamento.
A psiquiatra Elaine Bida, ressalta que a solidão persistente pode colocar o organismo em um estado de alerta contínuo, como se a pessoa estivesse permanentemente diante de uma ameaça.
“Esse processo pode provocar alterações na produção de cortisol, o hormônio relacionado ao estresse, além de favorecer processos inflamatórios e alterações no funcionamento do sistema imunológico. Com o tempo, essas mudanças podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas”, afirma a psiquiatra.
Além disso, existe também um impacto sobre o comportamento.
“Pessoas que se sentem solitárias podem dormir pior, praticar menos atividades físicas, alimentar-se de maneira inadequada e apresentar maior dificuldade para manter os cuidados com a própria saúde”, aponta.
A solidão foi tratada por muito tempo como uma questão exclusivamente emocional. Hoje, ela também já é entendida como um comportamento que pode afetar o funcionamento do organismo, interferindo na resposta ao estresse, no sistema imunológico e na saúde cardiovascular.
Segundo o estudo, aos 50 anos, pessoas que vivenciavam simultaneamente solidão e isolamento social apresentaram, em comparação àquelas que não vivenciavam nenhuma dessas condições:
“Esses números não significam necessariamente viver menos, mas passar menos anos da vida sem desenvolver as doenças investigadas”, destaca Elaine.
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A especialista indica que a condição é reversível, tal qual os impactos. Porém, os resultados dependam de cada pessoa e das intervenções utilizadas.
“Não basta simplesmente incentivar alguém a sair de casa ou frequentar ambientes movimentados. As intervenções psicológicas, especialmente aquelas que ajudam a modificar pensamentos negativos sobre si mesmo e sobre os relacionamentos, podem contribuir para reconstruir a confiança, fortalecer a autoestima e desenvolver habilidades sociais”, disse.
Além disso, atividades físicas, participação comunitária e oportunidades de convivência também são importantes, sobretudo quando favorecem relações verdadeiramente significativas, aponta a psiquiatra.
*Sob supervisão de Thiago Félix