Criatura conhecida como ‘vômito marinho’ é ameaça ao ecossistema marítimo; esta labradora escocesa está decidida a eliminá-la
Curiosidade

Criatura conhecida como ‘vômito marinho’ é ameaça ao ecossistema marítimo; esta labradora escocesa está decidida a eliminá-la

  • 20/10/2026 17:18
  • Redação

Uma peste marinha que invadiu litorais do Reino Unido à Austrália ganhou um oponente à altura: uma cadela labradora de seis anos chamada Sgiath (“Isquiá”, na pronúncia em português). Ela foi treinada por sua tutora para identificar, através do olfato, e apontar a presença de organismos chamados de “vômitos-marinhos” em praias da Escócia.

O trabalho é inédito e rendeu-lhe o título de “Animal do Ano” do International Fund for Animal Welfare, em Londres.

O que é um “vômito-marinho”?

A ascídia colonial, também chamada de vômito-do-mar, é um animal marinho que se fixa às pedras ao redor dos oceanos e filtra a água por seus orifícios, alimentando-se dos nutrientes e acumulando matéria orgânica e poluentes em seu corpo.

Nativa do Japão, esta espécie espalhou-se pelas águas temperadas de continentes como América do Norte, Europa e Oceania; ali, sua presença tornou-se uma ameaça aos ecossistemas marítimos.

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Cada fragmento que se desfaz da colônia original viaja pela água e se reproduz onde quer que atraque; por reprodução, forma tapetes extensos que crescem por cima de outros seres vivos, sufocando-os até a morte. Além do perigo ao meio ambiente, o vômito-marinho também é uma dor de cabeça para os pescadores; não à toa, e também por sua aparência peculiar, ganhou um nome tão desagradável.

Como Sgiath está mudando o cenário

Texa Sim é doutora em Ecologia Marinha e dona de Sgiath e outro labrador, e treinou ambos para gravar cheiros de diferentes organismos e objetos e ajudar em operações de busca e resgate, detecção de substâncias e, agora, proteger a vida marítima.

Sgiath consegue identificar e apontar a presença de duas espécies invasivas na costa escocesa: as ascídias coloniais (Didemnum vexillum) e o molusco Crepidula fornicata.

Até pedaços minúsculos destas ascídias podem se reproduzir, escondendo-se entre outros animais e a flora marinha, dificultando sua identificação a tempo de impedir o prejuízo às espécies. É aqui que entra a labradora.

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À revista britânica Country Living, sua tutora contou como ensinou a Sgiath uma habilidade que nenhum outro cachorro havia sido treinado para fazer: “Ninguém havia explorado se cães poderiam ajudar a resolver este problema no ambiente marinho. Começou como um projeto conceitual e excedeu todas as minhas expectativas.”

A cadela já havia sido treinada para participar de missões de resgate nas montanhas da Escócia. Mas a cientista notou que sua capacidade de detectar objetos pelo cheiro poderia ser bem aproveitada fora destas operações.

Animal e dona vão às praias e faixas costeiras e, em águas rasas, a labradora começa seu trabalho. Quando detecta uma das duas espécies invasivas, ela dá um sinal, olhando fixamente, imóvel, para o local.

“Ela é um talento natural”, elogiou Texa. “Sgiath é incrivelmente esperta. Suas habilidades de resolver problemas, encarar novos desafios e aprender muito rápido são fenomenais, e é incrível assistir.”

Cadela de seis anos foi treinada por sua dona, uma ecóloga marinha, para reconhecer organismos • Reprodução/CDD Scotland
  • Fonte: CNN Brasil
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