Último dia de campanha terá Flávio com Nikolas, e Lula em ato com artistas
- 20/10/2026 17:31
- Redação
No último dia de campanha antes do segundo turno das eleições, no sábado (24), Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrarão suas agendas nos três principais colégios eleitorais do país: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os três estados somam cerca de 40% do eleitorado brasileiro, e Flávio Bolsonaro saiu vencedor nos três no primeiro turno. Ao CNN 360º desta terça-feira (20), a analista de política Edilene Lopes detalhou as estratégias adotadas por cada campanha nessa reta final decisiva.
Flávio Bolsonaro iniciará o dia em Belo Horizonte, participando do chamado “Bloco do Nikolas”, evento criado por Nikolas Ferreira (PL-MG). O ato ocorrerá com um trio elétrico na Avenida Afonso Pena, principal avenida da capital mineira.
Assim como na Avenida Paulista, em São Paulo, e no Farol da Barra, em Salvador, Flávio e Nikolas estarão em cima de um trio elétrico. Acompanhando o bloco, haverá ainda uma motociata, tradição associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Estrategicamente, em pontos que são cartões-postais, para ter aquela imagem aérea, mostrando que há um engajamento além das redes sociais também nas ruas”, explicou a analista.
Em Minas Gerais, Flávio Bolsonaro abriu uma vantagem de 600 mil votos sobre Lula no primeiro turno, margem equivalente à que Lula obteve sobre Jair Bolsonaro na eleição de 2022 no mesmo estado.
À noite, Flávio encerrará sua campanha no Rio de Janeiro, em Copacabana, onde pretende também explorar uma declaração de Lula no debate da Band do último domingo (18).
“Lula disse que Flávio é um ‘malandro carioca’, o que acabou ofendendo muitos moradores do Rio de Janeiro e vai ser utilizado pelo senador nesse fechamento da campanha”, afirmou Edilene.
Luiz Inácio Lula da Silva adotará uma estratégia diferente no último dia de campanha. Pela manhã, realizará um ato com artistas que o apoiam no Rio de Janeiro e, à tarde, repetirá o formato em São Paulo.
A aposta é mobilizar multidões por meio do apoio de personalidades do mundo artístico, em dois dos maiores colégios eleitorais do país, onde perdeu no primeiro turno.
Edilene destacou que Flávio concentrou a campanha do segundo turno em MG, RJ e SP, enquanto Nikolas e outros aliados avançavam pelo Nordeste. Já Lula, que mantém vantagem na região, enfrenta o desafio de recuperar votos nos estados do Sudeste.
“O presidente Lula tenta correr atrás dos votos que ele não conquistou no primeiro turno”, avaliou a analista.
Além das agendas presenciais, ambos os candidatos adotam estratégias para alcançar parcelas do eleitorado que não seriam naturalmente seus.
Flávio Bolsonaro tem investido nas redes sociais e recebido apoio de grupos de gays, pessoas trans e mulheres que votam nele. “Tentando angariar uma parcela do eleitorado onde haveria uma fragilidade e onde a maior parte estaria com o presidente Lula”, destacou Edilene.
Entre as ações, destaca-se a gravação de vídeos com o influenciador Rico Melquiades, que se declara de direita, é gay, foi vencedor do reality-show “A Fazenda” e conta com mais de 10 milhões de seguidores nas redes sociais.
Lula, por sua vez, busca votos na direita, especialmente entre ex-integrantes do PSDB. Nomes como Aloysio Nunes, Miguel Reale Júnior e as filhas de Fernando Henrique Cardoso declararam apoio ao petista.
Esses apoiadores reafirmam seus valores liberais, mas afirmam que o bolsonarismo representa uma extrema-direita que não os representa.
“É uma tentativa de atingir quem não seria necessariamente atingido se a campanha seguisse o padrão anterior de cada um falando para as suas partes”, concluiu a analista.
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