Trigo cai 1,83% em Chicago com exportações fracas e maior oferta global
Agronegócios

Trigo cai 1,83% em Chicago com exportações fracas e maior oferta global

  • 20/10/2026 15:08
  • Redação
Os contratos futuros do trigo fecharam em forte queda nesta terça-feira (20) na bolsa de Chicago, pressionados pelo desempenho fraco das exportações americanas e pelas perspectivas de maior oferta no mercado internacional. O vencimento para entrega em dezembro recuou 1,83%, encerrando o pregão cotado a US$ 6,43 por bushel.

Segundo análise da Royal Rural, o trigo liderou as perdas entre os principais grãos negociados na bolsa americana. O mercado também acompanhou a desvalorização do milho, cujo contrato para dezembro era negociado próximo de US$ 4,62 por bushel, diante do avanço da colheita nos Estados Unidos e de indicadores mais fracos de demanda externa.

No mercado de trigo, as inspeções de exportação dos Estados Unidos somaram apenas 240 mil toneladas, enquanto as vendas semanais recuaram quase 48% em relação ao mesmo período do ano passado.

Diante desse cenário, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu a projeção de exportações americanas de 775 milhões para 750 milhões de bushels e elevou a estimativa de estoques finais para 740 milhões de bushels.

A perspectiva de maior disponibilidade global também contribuiu para pressionar as cotações. Argentina e Austrália apresentam expectativas de aumento da oferta, enquanto as previsões de chuva nos Estados Unidos favorecem o plantio do trigo de inverno, ampliando as perspectivas para a próxima safra.

Outro fator acompanhado pelos investidores são as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, que podem reduzir parte do prêmio de risco incorporado aos preços do cereal.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discute uma proposta de paz com representantes americanos e europeus na Noruega, enquanto existe a possibilidade de um enviado dos Estados Unidos viajar à Rússia para apresentar os termos ao presidente Vladimir Putin. Apesar das tratativas, ainda não há acordo confirmado, os ataques continuam e o transporte de grãos pelo Mar Negro permanece sujeito a riscos.

Soja

Os contratos futuros da soja fecharam em queda nesta sessão na bolsa de Chicago, acumulando a sétima sessão consecutiva de perdas. O vencimento para entrega em novembro recuou 0,42%, encerrando o pregão cotado a US$ 12,48 por bushel, pressionado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pela entrada de novos grãos no mercado.

Segundo a Granar, o ritmo dos trabalhos no campo americano continua pressionando as cotações. Dados divulgados na segunda-feira (19) pelo USDA mostram que a colheita da soja alcançou 64% da área plantada, ante 46% na semana anterior.

O resultado ficou abaixo da média histórica de 50%? Não. O índice superou a média de 50% para o período, mas ficou ligeiramente abaixo dos 66% esperados pelos operadores do mercado.

O USDA também informou que 96% das lavouras de soja já estavam em processo de perda de folhas, etapa que antecede a conclusão da colheita. O avanço do ciclo da cultura reforça a expectativa de maior disponibilidade do grão nos Estados Unidos, fator que segue limitando o desempenho dos contratos futuros em Chicago.

Milho

Os contratos futuros do milho fecharam em queda pela sexta sessão consecutiva na bolsa de Chicago, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelas condições climáticas favoráveis às atividades no campo. O vencimento para entrega em dezembro recuou 1,07%, encerrando o pregão cotado a US$ 4,62 por bushel.

Segundo a Granar, a previsão de tempo favorável para os próximos dias no Meio-Oeste americano deve contribuir para acelerar os trabalhos de colheita e ampliar a oferta do cereal no mercado. Além disso, a entrada da segunda maior safra de milho da história dos Estados Unidos no circuito comercial aumenta a pressão sobre os preços.

De acordo com a Agrinvest, a sazonalidade da colheita americana continua influenciando negativamente as cotações tanto do milho quanto da soja em Chicago. O avanço dos trabalhos nos Estados Unidos amplia a disponibilidade dos grãos e limita a recuperação dos contratos futuros neste período.

No Brasil, os investidores acompanham o desenvolvimento da safra 2026/27. Até o momento, não há sinais generalizados de problemas nas lavouras, e o plantio avança em ritmo acelerado, dentro da janela prevista. O andamento da semeadura e as condições climáticas nas principais regiões produtoras seguem no radar do mercado.

  • Fonte: CNN Brasil
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