Juros futuros fecham sem rumo único com rendimentos dos Treasuries em alta
Economia

Juros futuros fecham sem rumo único com rendimentos dos Treasuries em alta

  • 19/10/2026 16:09
  • Redação

As taxas dos DIs de curto prazo fecharam a segunda-feira (19) com variações modestas ante os ajustes anteriores, traduzindo a cautela do mercado na semana que antecede o segundo ​turno da eleição presidencial no Brasil, após novas pesquisas confirmarem uma disputa acirrada entre os candidatos.

No ​exterior, os rendimentos dos Treasuries se firmaram em alta ainda pela manhã, com os investidores direcionando a demanda por ativos de maior risco, como as ações.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,87%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,92% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,890%, praticamente estável ante 12,893%.

No início do dia, as taxas sustentaram baixas ao longo da curva, repercutindo novas pesquisas eleitorais e o debate promovido pela Band, na noite de domingo, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

“O que hoje entra muito na conta do investidor, por ⁠óbvio, além da agenda de indicadores e do ambiente geopolítico, são as ​eleições, nas quais a gente teve aí pesquisas hoje mostrando vantagem do Flávio, mas uma vantagem marginalmente menor do que se tinha há algum tempo”, pontuou ​Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

Nova pesquisa BTG/Nexus mostrou redução de 2,8 pontos percentuais para 0,6 ponto percentual da diferença entre Flávio e Lula no segundo turno, ⁠que será disputado no próximo domingo. Flávio tem 46,5% das intenções de voto e ⁠Lula soma 45,9%.

O percentual de eleitores que não pretendem votar ou que votarão em branco ou nulo está em 4,7%, enquanto 2,9% não ​sabem.

Como ‌a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os candidatos estão em empate técnico, conforme a pesquisa.

Já o novo levantamento da Atlas revelou uma queda de 5,4 para 2,2 pontos ⁠percentuais da vantagem de Flávio, com o senador com 49,8% das intenções de voto e o presidente com 47,6%. O percentual de indecisos ou que pretendem votar em branco ou nulo é de 2,6%.

Como neste caso a margem de erro é de 1 ponto percentual, Flávio está na liderança para além da margem de erro.

A pesquisa PoderData/Aya, também divulgada nesta segunda-feira, mostrou Flávio com ‌52% e ⁠Lula com 48%, com margem ‌de erro de 1,8 ponto percentual.

Na esteira das pesquisas, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima intradia de 12,750% (-14 pontos-base) às 9h45, ainda na primeira hora da sessão, em um momento em que os rendimentos dos Treasuries se mostravam acomodados.

Além das novas pesquisas, os investidores repercutiam o primeiro debate entre os candidatos, promovido pela Band.

Flávio responsabilizou Lula pelo endividamento ⁠das famílias e acusou o governo de gastar demais. Lula, por sua vez, perguntou se Flávio adotará ⁠o modelo econômico do presidente da Argentina, Javier Milei, e destacou o aumento da pobreza no país vizinho. A maior parte do debate foi marcada por acusações de lado a lado.

No mercado, boa parte dos agentes ainda ‌considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas – mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.

No debate de domingo, Flávio prometeu que, se eleito, congelará as dívidas de pessoas físicas por seis meses e de pessoas jurídicas por um ano. Em resposta, Lula lembrou que na nova fase do programa Desenrola o governo irá comprar dívidas que as pessoas têm nos bancos com descontos da ordem de 90%.

“Eu não diria que ‌o mercado deveria estar animado. Talvez ‘aliviado’ seja a palavra mais correta no sentido de que o debate não foi um completo desastre para o Flávio de forma a comprometer as chances dele, que são boas, tampouco foi um desastre para o Lula, que comprometesse a candidatura”, afirmou Perri.

Ainda durante a manhã as taxas desaceleraram as baixas e se reaproximaram ⁠da estabilidade, com investidores demonstrando cautela nos negócios. Mesmo que Flávio – o favorito da Faria Lima – siga numericamente à frente nas pesquisas, a disputa permanece acirrada, com chances de vitória para ambos os lados.

A recuperação das taxas no Brasil ocorreu em sintonia com o exterior, onde os rendimentos dos Treasuries subiram em uma sessão de maior apetite por ativos de risco.

No fim da ​sessão regular, isso se refletiu em baixas leves entre alguns DIs curtos e na relativa estabilidade entre os contratos de longo prazo – mais suscetíveis tanto à política fiscal dos próximos anos quanto ​ao movimento dos Treasuries.

Pela manhã, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que os economistas do mercado mantiveram a projeção de inflação para 2026 em 5,22% e elevaram de 4,30% para 4,32% a expectativa para 2027.

Já a taxa básica Selic esperada para o fim deste ano seguiu em 13,25% e para o encerramento do próximo ano em 12,00%. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.

Às 16h43, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para ‌decisões de investimento – subia 5 pontos-base, a 5,148%.

 

 

  • Fonte: CNN Brasil
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