EUA ampliam incentivos ao algodão para fortalecer produção e exportações
- 19/10/2026 07:55
- Redação
O governo dos Estados Unidos anunciou um conjunto de medidas para fortalecer a cadeia produtiva do algodão americano e ampliar sua competitividade diante de concorrentes estrangeiros, entre eles o Brasil, que em 2023 ultrapassou os EUA e se tornou o principal fornecedor global da fibra.
As ações incluem incentivos fiscais aos produtores, apoio financeiro à indústria têxtil, estímulos à demanda doméstica e iniciativas para abrir mercados internacionais, segundo documento do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
Os Estados Unidos são o quarto maior produtor mundial e o segundo maior exportador da fibra, cultivada em 17 estados, em uma área de aproximadamente 4,86 milhões de hectares. A cadeia movimenta mais de US$ 21 bilhões por ano em produtos e serviços e gera ou sustenta mais de 125 mil empregos, segundo o USDA.
Entre as medidas destacadas está a ampliação dos benefícios previstos na Lei de Redução de Impostos para Famílias Trabalhadoras (Working Families Tax Cuts Act). A legislação torna permanentes determinadas deduções fiscais para investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas e eleva para US$ 2,5 milhões o limite de compras elegíveis à dedução integral prevista na legislação tributária americana.
A lei também amplia a proteção financeira dos produtores. O governo acrescentou 30 milhões de acres-base aos programas de Cobertura de Riscos Agrícolas e de Cobertura de Perdas de Preços, que oferecem mecanismos de proteção à renda agrícola.
Para a safra de 2026, a legislação elevou o preço de referência dos empréstimos de comercialização para US$ 0,55 por libra de algodão upland e US$ 1 por libra de algodão de fibra extralonga. Esses instrumentos oferecem liquidez aos produtores durante a colheita e ajudam a financiar a comercialização da produção.
A ampliação das exportações é outro eixo da estratégia americana. A legislação autoriza US$ 285 milhões adicionais por ano, a partir do ano fiscal de 2027, para o Programa de Promoção do Comércio Agrícola Suplementar, destinado à promoção comercial de produtos agrícolas.
O documento também destaca compromissos comerciais firmados com a Indonésia e Bangladesh. A Indonésia concordou em apoiar e facilitar acordos comerciais para importar pelo menos 163 mil toneladas de algodão americano por ano durante cinco anos. Depois desse período, o volume mínimo previsto será de 150 mil toneladas anuais.
Bangladesh, por sua vez, terá redução tarifária para roupas fabricadas com algodão e insumos têxteis dos Estados Unidos, além de outras concessões comerciais mencionadas no documento.
O pacote inclui medidas de proteção contra perdas agrícolas e ameaças fitossanitárias. O Serviço de Pesquisa Agrícola do USDA iniciou estudos para identificar materiais genéticos resistentes à cigarrinha-do-algodoeiro, uma praga que, segundo o documento, vem se espalhando pelos Estados Unidos.
A legislação também ampliou as opções de seguro agrícola disponíveis aos produtores inscritos nos programas de riscos agrícolas e de perdas de preços, permitindo a contratação da Cobertura Suplementar Opcional.
Além disso, o preço de referência do algodão em caroço nos programas de apoio à renda foi elevado em 14%, com efeitos previstos para o outono de 2026 no hemisfério norte. Os limites de pagamentos aos cotonicultores nesses programas passaram de US$ 125 mil para US$ 155 mil, com correção pela inflação.
O documento atribui parte das dificuldades enfrentadas pelos cotonicultores americanos ao aumento dos custos de produção, à concorrência de fibras sintéticas e à competição de fornecedores estrangeiros que, segundo o governo, conseguem vender a preços menores em razão de práticas comerciais consideradas desleais.
O plano também prevê recursos para ampliar a capacidade de processamento e fabricação de produtos de algodão nos Estados Unidos. O Fundo de Apoio ao Algodão Pima foi reautorizado até 2031, com US$ 16 milhões anuais para fabricantes e associações do setor.
Outra iniciativa é o Programa de Assistência à Adaptação Econômica das Fiações, que oferece assistência financeira a unidades de processamento de algodão para modernizar suas instalações. A lei elevou o pagamento previsto pelo programa de US$ 0,03 para US$ 0,05 por libra de algodão processado.
O USDA também pretende incentivar o consumo doméstico da fibra por meio da iniciativa “Planta, Não Plástico”, voltada à promoção de materiais feitos com algodão americano. O departamento mantém ainda o apoio ao programa BioPreferred, que certifica produtos de origem biológica.